Sou sertanejo,
Caboclo,
Matuto,
branco,
Negro.
Sou Quilombola,
Sou Imigrante.
Sou o chimarrão do sul
O gibão do norte
Sou Gonçalves Dias
Bravo, Forte.
Dos Guaranis
Me faço
Kaká Werá Jecupé
Dos Yanomamis
Sou o Espírito da Floresta
A queda do Céu
De David Kopenawa.
Do Ailton Krenak,
Sou o pensamento.
Não uso chapelões,
Botas,
Cinturões,
Não sou Cowboy.
Não me visto para aparecer
Sou o Sertanejo
Uso botina,
Mangas compridas
Chapéu de palha.
Sou etnia nativa
O DNA diferente
O Sal da Terra,
Rico, Diverso,
Sou Música e alegria,
Esperança do mundo,
Brasileiro!
Quando o Cervo catingueiro
Come as flores das minhas abobreiras
Não o espanto!
Encantado o observo
Da sombra da soleira.
Quando vejo a raposinha,
Num salto,
Atacando minhas galinhas,
Admiro sua esperteza,
Conserto o galinheiro,
E, se ela soubesse,
Eu lhe daria
Um franguinho frito.
Jacarandás, Paineiras
Embaúbas, Pitangueiras
Não as derrubo!
São jardins da minha roça.
O Sol me fortalece
Como faz crescer e florir
Minha roça.
A chuva me abençoa
Como traz alento às plantas.
Eu agrade às bênçãos
Que a Terra me dá.
Sou brasileiro
E, como as plantas,
Sou o cio da Terra.