30 de julho de 2026

POEMA DESTA MADRUGADA

 

Sou sertanejo,

Caboclo,

Matuto,

 branco,

Negro.

Sou Quilombola,

Sou Imigrante.

Sou o chimarrão do sul

O gibão do norte

Sou Gonçalves Dias

Bravo, Forte.

Dos Guaranis

Me faço

 Kaká Werá Jecupé

Dos Yanomamis

Sou o Espírito da Floresta

A queda do Céu

De David Kopenawa.

Do Ailton Krenak,

Sou o pensamento.

Não uso chapelões,

Botas,

Cinturões,

Não sou Cowboy.

Não me visto para aparecer

Sou o Sertanejo

Uso botina,

 Mangas compridas

Chapéu de palha.

Sou etnia nativa

O DNA diferente

O Sal da Terra,

Rico, Diverso,

Sou Música e alegria,

Esperança do mundo,

Brasileiro!

Quando o Cervo catingueiro

Come as flores das minhas abobreiras

Não o espanto!

Encantado o observo

Da sombra da soleira.

Quando vejo a raposinha,

Num salto,

Atacando minhas galinhas,

Admiro sua esperteza,

Conserto o galinheiro,

E, se ela soubesse,

 Eu lhe daria

Um franguinho frito.

 

Jacarandás, Paineiras

Embaúbas, Pitangueiras

Não as derrubo!

São jardins da minha roça.

 

 O Sol me fortalece

Como faz crescer e florir

Minha roça.

A chuva me abençoa

Como traz alento às plantas.

Eu agrade às bênçãos

Que a Terra me dá.   

Sou brasileiro

E, como as plantas,

Sou o cio da Terra.