7.8.18

O VIRUS QUE CONTAMINA O MUNDO


O Brasil é a 2ª maior nação negra do mundo em habitantes e, sem dúvida, tamanha negritude, influenciou sobremaneira esta terra. No entanto, tornou-se este pais um caldo de miscigenação, possivelmente pela característica antropofágica tupiniquim, pois já no princípio os nativos recebiam  fraternalmente os portugueses, engoliam  seus costumes, transavam e os inseriam na vida cotidiana. Fato este, repetido até hoje, pois admirar-se o estrangeiro a ponto de alguns brasileiros, ignorantes de suas raízes se tornarem os chamados vira-latas.

Assim prossegue este antropofagismo  a assimilar tanto o melhor como o pior dos imigrantes, bem como o modo de vida e cultura  provindo de mídias estrangeiras.

Não se percebe a nação como mistura de todos os gens do planeta, como soma de conhecimentos, usos e costumes, como sendo um lugar único e original capaz de mudar paradigmas existenciais.

Dos negros vieram não só música, comida, prosa, servidão, mas também virtudes como: resignação, paciência, superação, humildade, criatividade, etc.
Os diferentes imigrantes* trouxeram ferramentas desconhecidas, conhecimentos para construir, fabricar e organizar, filosofias, medicinas. 

Porém, trouxeram também o vírus do velho mundo, Ou seja, as divisões: capital-trabalho, esquerda-direita,  “instruído”-não instruído, a meritocracia,o  dinheiro, riqueza-pobreza, cristão-ateu, guerra-paz, patrão-empregado, liberdade-escravidão.

Como se não bastasse, essas divisões também trazem consigo vaidades inconseqüentes como a petulância de se achar melhor, prepotência, racismo, preconceito, ódio, intriga, fascismo, corrupção.

Então os estrangeiros trouxeram muito mal para cá? Não! Isso tudo é o que somos, é o reflexo do que estava no mundo, mundo a qual nós próprios criamos, pertencemos e aceitamos. Este é um mal que precisamos reconhecer como nosso porque só o identificando é que podemos encontrar outras alternativas de vida.

Alternativas estas que estão nas próprias raízes do brasileiro, caso as conheçamos, pois um povo sem uma raiz que não conhece sua própria identidade consequentemente não terá motivo ou iniciativa para fazer nada.

Pois bem, descendemos de brancos imigrantes, negros e índios, mas não atinamos e nem assimilamos nossa raiz mais antiga, mais significativa, a dos índios. Sem isso, não encontrar-se á um porto seguro onde se ancore a raiz brasileira,onde se tenha um princípio que apoie  e sustente nossos ideais.

Não quero dizer que os índios sejam perfeitos, incorruptíveis. Longe disso!  Além de não serem nada perfeitos, há muitos que adquiriram os vícios do colonizador. Além do mais, se houver alguém um mínimo mais perfeito do que nós terráqueos, este alguém não nasceria neste planeta.

Embora já sermos antropofágicos como os índios, de gostarmos de mandioca de todos os jeitos, de uma boa rede, ainda nos resta o desprendimento das coisas materiais, assimilar a preservação da natureza a qualquer custo,  o conhecimento e uso melhor da diversidade biológica desta terra, a compreensão que a Terra, a fauna e a flora  é uma dádiva do Criador para o benefício de todos, que toda propriedade não é nossa e sim do mundo, que devemos ser hospitaleiros, solidários, fraternos, que nossa família são a comunidade inteira e não só pai, mãe, filhos, tios e tias. Que o respeito ao outro é fundamental, que a educação dos filhos é inalienável embora seja também tarefa de toda a comunidade.

Enfim, prolongar, explicar e detalhar mais valores, usos e costumes indígenas prolongaria muito este texto. No entanto, este resumo já mostra uma raiz bastante resistente, uma identidade bem promissora e parâmetros mais aceitáveis para um mundo melhor ainda se constituiria numa barreira ao poder que manipula o mundo inteiro.

Rubens Prata

(A imagem é de uma índia Shibipo que vivia na divisa do Amazonas com Peru. Curandeira Shaman e artesã que foi assassinada aos 91 anos)

O entalhe em madeira é de minha propria produção.

--------Peço que curtam minha pagina e compartilhem já que todo artista precisa de divulgação para viver--------


*Imigrantes: sou neto de italianos e portugueses Portanto, possuo suas poucas virtudes e seus muitos vícios. Porém, me identifico mais com a cultura negra e especialmente com a dos nativos.