10.11.16

MUROS

Faz cinco anos procurei à Praça Buenos Aires em SP para relembrar do momento no qual conheci aquela hippiezinha, hoje vivendo comigo há 40 anos. Uma mistura de inquietação e impotência apossou-se de mim ao ver a praça cercada por altas grades barrando meu acesso. A mesma desilusão ocorrera quando vi o Jardim Trianon (na Av. Paulista) enjaulado por tenebrosas estruturas de ferro. Era lá que brincava e passeava com minha primeira filha, pois ficava bem ao lado de nosso apartamento.
Confesso! Certa ocasião morei num condomínio fechado, excluindo-me do convívio da comunidade. Entretanto, mudei-me para Avaré há 34 anos em busca de espaço, liberdade para ter uma casa no campo, ter meus livros, meus discos e criar filhos de cuca legal como sugeria a música de Zé Rodrix (Uma casa no Campo) na época.
Enquanto em Sampa proliferavam os condomínios, os muros, guaritas e aparatos de proteção, eu varava cercas entre pastos conhecendo sitiantes, usufruindo da abençoada bem querência do homem do campo, ora levando alguma fruta para casa, ora sendo presenteado com uma lata de banha ou um naco de carne de porco. Doutras vezes trocando ramas, mudas e experiências deglutindo uma cachacinha ao som de música sertaneja (raiz), A vida por aqui era pobre, muito simples mesmo, mas era feliz, libertária e bastante solidária.
Com o tempo os sítios viraram empresas do agro negócio, a solidariedade fugira com o lavrador vindo para a cidade, os caminhos foram fechados, por rottweiler, e animais humanos estúpidos.
Em Avaré as casas que guardavam memórias foram abandonadas ou demolidas, os jardins dos quintais esquecidos e, de pouco em pouco viu-se a construção de altos muros, com enormes portões e cercas elétricas até em moradias mais humildes.
Em 1989 caiu o muro de Berlim, foi um alívio, marcou o fim da guerra fria, era um exemplo a ser seguido pelo mundo. 
No entanto, em vez de derrubarmos as cercas, construirmos pontes estamos deletando pessoas e hoje existem mais de 60 vergonhosos muros.
Muros...
Que separam a elite verdadeira dos coxinhas e esquerdopatas , dos um pouco rico e mais pobres digladiando-se cá em baixo.
Muro de Gaza cuja platéia sionista, por fora, se deleita ao ver as explosões matando criancinhas dentro da cidade.
Há o muro do México, o de Chipre, 
O da Espanha contra imigrantes africanos,
O da Cisjordânia, Marrocos, 
Belfast.
Muros que isolam a miséria,
Muros que impedem oportunidades
Muros da Religião,
De preconceitos, fanatismos.
Muros de ódios,
De Fascistas e manipulados.
Muros de egoísmo, avareza
Muros altíssimos de onde os dominadores do planeta controlam fantoches governamentais.
Muros de saco de areia, latões, 
Arames farpados, tijolo e concreto.
Muros...
Construídos com segredos e repetidas mentiras,
Muros de dogmas da ciência e da religião.
Muros...
Por maior que sejam não há aquele que separe e elimine o medo
De qualquer classe social,
Muros e cercas...
Derrubemos! Se quisermos encontrar a paz.

Rubens Prata