28.12.12

COISA DE VELHO



Sim, estou velho, até meio debilitado.
Mas – o caminhão – nas costas,
Carrego pesado.
Mês que vem... Valha-me Deus!
IPVA, consulta da velha, exame, remédio, IPTU,
Tomate cru.

A rotina, é minha sina,
Não aprendi a vadiar,
O tempo passa,
Só sei trabalhar, trabalhar, trabalhar.

Velho... Não tem graça,
Poucas lembranças retidas,
Histórias de muita desgraça,
Enormes vontades detidas.

Velho como eu, só tem que ficar quieto,
A quem interessa?
Tantos amigos perdidos,
Tanta aventura vivida,
Tantos vexames escondidos,
Tanta tristeza sentida,

Minha velhice se nota no corpo.
Mas na alma...
Ah! Na alma...
Tem um menino curioso,
Estudioso, a fim de tudo
O que na vida é gostoso.

Rubens Prata