24.2.12

CASO PINHEIRINHO (CAMPO DE CONCETRAÇÃO PAULISTA)

Sou artista plástico e cristão e, como tal, minha premissa, neste blog, não poderia ser atacar, criticar ou publicar matérias em desacordo com o belo, o bom, a paz e o bem. Nosso papel deve ser: trazer para o mundo, beleza, encantamento, alegria, solução, e alguma crítica também. Por isso peço desculpas aos meus leitores pelo que vou dizer agora.

Hoje às duas da madrugada, assistindo a um vídeo que o Senador Suplicy levou ao senado para ser debatido e analisado junto com outros convidados e representantes públicos. Embora já conheça essa desumanidade e tivesse repassado todas as informações – vistas e recebidas – sobre o caso através de todos os sites de relacionamento que tenho. Não me contive!
O Brasil não pode mais tratar a população desse jeito. 

Acontece que já faz mais de um mês do ocorrido e a crueldade continua se multiplicando assustadoramente com as mais de mil e seiscentas famílias desalojadas. 

A ocorrência deu-se desse jeito: num determinado dia (é lógico que alguns moradores já deviam estar esperando o desfecho do processo), à tarde, jogaram panfletos na região dizendo que iriam  desalojar os moradores do Pinheirinho. No dia seguinte, às cinco horas da manhã, uma tropa de choque fortemente armada  e com luvas (provavelmente para não deixar impressões) invadiu o Pinheirinho, já atirando e jogando bombas para todos os lados (sabe-se de mortos e feridos). É óbvio, nem deu tempo de alguém se trocar, o pânico e o desespero foi inenarrável. Os policiais, cruelmente, deram  cinco, dez, quinze minutos para alguns pegarem seus documentos e roupas.

Encaminharam finalmente esse pessoal para abrigos. Em seguida, entrou máquinas derrubando imediatamente as casas com tudo o que havia dentro – móveis aparelhos, geladeiras, ferramentas, roupas etc.

Pois é, essa gente continua deitada no chão em quadras, em bancos de igreja, juntamente com milhares de semelhantes ao lado. Nem roupas tem! Quantos banheiros devem ter esses lugares? Como não estão esses banheiros com tanta gente? 
As filas para pegar a mirrada refeição são gigantescas e demoradíssimas. Em vista dessa balbúrdia, muitos trabalhadores obviamente tiveram que faltar ao emprego e foram despedidos. Os que trabalhavam por conta própria tiveram suas ferramentas destruídas. Estudantes ficaram longe de suas escolas, doentes e operados tiveram que faltar ao médico.

Essa situação não se assemelha a um campo de concentração? Não parece só faltar as autoridades paulistas mandarem esse pessoal para o chuveiro, como faziam os nazistas aos judeus?

Esses trabalhadores, tinham sonhos, não eram bandidos,  construíram casa com esmero, jardim, horta, frutas, alguns possuíam estabelecimentos comerciais no local.  Outros estavam na faculdade. Tinham família com idosos, bebes, crianças. Tudo acabou!

Por que?

O que se sabe é que o estelionatário, Naji Nahas (autor do golpe na bolsa de valores no ano 1989), estando ileso da cadeia, precisava do terreno para saldar dívidas com os “pobrezinhos banqueiros” aos quais devia. Será que ele não tem uma “mansãozinha uma “continha nas Ilhas Cayman’, para salvar esses “coitadinhos”? Isso não poderia ser só mais uma falcatrua do Naji?
Ainda que a lei obrigue a reintegração de posse, será que bom senso, um pouquinho de ética ou humanidade não impediria uma juíza de assinar a reintegração?

O que não dizer do Prefeito de São José dos Campos e pior ainda, do governador do estado mais rico do Brasil que poderia impedir e planejar antes uma alternativa honrosa propiciando condições dignas a essa população em vez de mandar suas tropas atacá-las?
É bom lembrar que o Estado de São Paulo tem o maior orçamento de todos os países da América Latina com exceção do México.

Para terminar, todos os procedimentos sobre essa desapropriação foram feitas de uma maneira muito rápida, de tal forma que até uma pessoa comum, como eu, desconfia que há mais “tretas”  nesse imbróglio. 

Enfim, agora são seis horas da manhã, não consigo dormir, faz um mês que não produzo uma escultura que encante, nem um verso que distraia. 

Rubens Prata