26.5.11

Nada é tão ruim que não possa...
Piorar.

MULHER PARA AMAR

Há mulheres de todos os tipos
Com diversos jeitos,
Capacidades, trejeitos
Mas não há nenhuma como aquela que fico

Mulher para amar e ser amada
Mulher para cuidar e ser cuidada
Não é nenhuma “Amélia”,
Pois se fosse, nem gostaria,
Mas é minha querida Nélia.

Se penso, ela faz.
Se ela deseja, eu realizo.
Se quero, ela quer.
Se está fraca, senta-se perto de mim,
Diz que recebe minha energia assim.
E quando me sinto só, sem inspiração,
Peço que fique perto de mim
A vida tem mais sentido assim.
Então, por ela dou graças a Deus
Por presentear-me com uma mulher afim.

Rubens Prata
Quem está vivo sempre...
Desaparece.

O TEMPO É IMPLACÁVEL


Os anos vêm e vão
E eu aqui no ateliê,
A olhar a rua de fábricas.
Operários vão e vem,
Caminhoneiros,
Trazem soja e milho;
Laranjas levam.
Eu aqui a pensar no acontecido,
Como se fosse ontem
Aí me lembro, foi há anos!
Só o tempo passa,
E eu aqui, esperando a vida correr.
Meus pais já passaram,
Muitos amigos já se foram
E eu aqui, esperando meu neto crescer,
A envelhecer, envelhecer.
Parece que foi ontem,
Mas tudo já aconteceu.
E eu aqui, a querer, querer...
Querer viver,  viver...

Rubens Prata

Sou artista plástico no Brasil
E, apesar desse defeito,
Deus me sustenta

SANTOS

Eles não dão o braço a torcer,
Não levam desaforo para casa,
Dizem olho por olho, dente por dente,
Nunca erram,
Dizem-se cristãos ou crentes em Jeová,
Nunca pedem perdão,
Muito menos perdoam;
Nunca esquecem as ofensas.
São heróis de si mesmos,
Para eles, o diferente nunca será seu próximo,
Levam vantagem em tudo,
Andam muito bem armados,
Dividem o mundo,
Não se misturam,
Constroem cercas e muros,
Lutam pela liberdade, democracia e paz.

Paz?????

R. Prata

Lemos, ouvimos, assistimos o grito
de horror daqueles que têm fome, sede de justiça e de respeito .
Jerusalém é a capital indivisível de Israel disse:  Benjamin Netanyahu (primeiro ministro de Israel).

21.5.11

Quem cedo madruga...
Fica com sono o dia inteiro.
A madrugada irrompe e eu aqui, como sempre, desperto.
As estrelas acenam-me piscando.
A Lua tarda minguando e eu aqui. Quem diria? Com o Frank Sinatra.
Tudo é silêncio na rua e eu só. Mas...
Bem acompanhado, pois a beleza se esconde na noite.
Ao dia pertence o suor, o trabalho exaustivo, a concorrência, a disputa.
Na noite habita o sonho, a frase do poeta, a paz, a diferença e o dia de amanhã.

R. Prata

A CORRUPÇÃO NOSSA DE CADA DIA

 Pasmem! Foi há poucos anos atrás, mas juro que ouvi.

O Seu José, funcionário da prefeitura há muito tempo, cargo vitalício como todos sabem, convidando o meu genro que na ocasião estava num emprego que pagava mal como já é de praxe nesta cidade.

Dizia ele com aquele linguajar assim, como diríamos? “Chique no úrtimu” das TVs e rádios do momento:

- “Óh cumpadre, vem trabaiá cu nóis lá na prefeitura, aí você fica só num sussu assim como ieu”. Meu genro respondeu:

- Ah, mas tem que fazer um concurso e demora muito para me chamarem.

- “Qui nada sô, você só precisa di fazê um testizinho, aí a gente fala cu vereadô Mané, qui cuida dessas coisa, que ele resorve e você entra num instantinho.”

Felizmente meu genro respondeu que ia ver e nunca foi atrás desta proposta.

Até hoje não sei se essa atitude do genro era porque eu estava por perto e ele sabia o que penso da corrupção. Mas o absurdo era que o tal funcionário estava junto com outros três empregados da prefeitura e todos conversavam sem nenhuma vergonha e com absoluta tranqüilidade sobre o assunto.

Pois é, alguém já disse: “Não haverá país nenhum como este!”

R. Prata

P.S. A história é verdadeira, só não coloquei os nomes certos porque não seria correto colocá-los usando a internet.
Felizmente algumas celebridades são biodegradáveis,
Aprecem repentinamente na mídia, depois somem sem deixar vestígios.

13.5.11

OS FANTASMAS DE ANDRADE SILVA




O apicultor Ubirajara em conversa com o administrador, soube dos fenômenos ocorridos naquela casa de fazenda, escutavam-se ruídos e caiam pedras surgidas em pleno ar.
Os moradores do lugar tinham na ponta da língua as mais esdrúxulas histórias. Uns diziam que ao abrir determinada porteira os espíritos apareciam, outros contavam que ao pé de um gigantesco eucalipto foram enterradas duas meninas vivas. Dizia-se que na casa grande da vila ouvia-se sons de correntes, gente gemendo.
O fato é que aquela pequena vila, perdida entre enormes árvores tinha mesmo aspecto tenebroso e ninguém contaria tantas histórias se nada houvesse. De modo que precaução nunca seria demais.
Era justamente lá pela grande quantidade de antigos eucaliptos dando flor em abundância quase o ano inteiro que o Sr. Ubirajara mantinha três grandes apiários com 30 colméias cada. Bira fazia apicultura migratória, isto é, na florada da laranja levava suas colméias para distantes laranjais, ao término da florada retornava com as caixas de abelhas para o eucalipal, conseguindo assim, produzir maior quantidade de mel.
O medo é contagiante, basta alguém começar a contar histórias fantasmagóricas e todo mundo fica logo sentindo que alguma coisa ruim está para acontecer e, Bira por prudência nunca contara sobre o que sabia aos três ajudantes, a esposa e seus dois medrosos cunhados. No entanto, certa noite quando trazia os enxames de volta dos laranjais, o medo tomou conta de todos e, sem nenhuma explicação, ninguém queria descer para abrir a famigerada porteira e por mais que Bira argumentasse teve, ele mesmo, que descer do veículo para abrir e fechar a porteira novamente.
A tarefa era mesmo difícil e apavorante, pois entravam por um caminho onde não se podia manobrar o carro, isto é, tinham que voltar de marcha a ré, com o auxílio de um lampião bem forte a gás. Além do mais, as gigantescas madeirais destinadas ao céu rangiam, como a gemer noite adentro. O chão era coberto de folhas secas a ponto das pernas ficarem atoladas até os joelhos.
Já no colmeal, com dois lampiões a gás ligados, os quatro com colméias na mão prontas para descarregar no estaleiro, entre os gemidos das árvores, o fenômeno ou poltergeist, sei lá como se chama, começou.
Uma gritaria ensurdecedora aconteceu em volta dos quatro, ao mesmo tempo, as folhas do chão rodopiavam em volta dos apicultores, como se tivessem muita gente correndo em torno deles e movimentando as folhas no chão. Escutavam-se gritos ou grunhidos irreconhecíveis, mas não se viam as pessoas. Era como se um grupo de almas ferozes dançassem em torno deles ameaçando-os com gritos de guerra horripilantes.
O cabelo do seu Ubirajara arrepiou até fazer doer o couro cabeludo e os outros três, quase desmaiando gritavam de medo, até quando o Ubirajara propôs soltar as caixas ali mesmo e voltarem todos para perua a fim de orarem.
Assim fizeram, todos no veículo de portas e janelas fechadas rezaram por longo tempo até que a algazzarra das almas parassem. Mas eles tinham que sair do lugar, era preciso descarregar e alguém ir iluminando o caminho atrás da perua para saírem do lugar de ré.
Com muito custo, Bira convenceu-os de terminar a tarefa.
Para falar a verdade, nunca ninguém descarregou e saiu tão depressa daquele lugar como naquela noite.  Nada mais aconteceu e ninguém queria nem falar no assunto de medo de atrair mais alguma coisa.
Durante toda a atividade e até na viagem de volta as orações não terminaram.
Anos se passaram e o acontecido nunca saira da lembrança do apicultor, mesmo porque ele não admitia passar por situação a qual não pudesse entender, e o que ouvira de comentários do local não corroborava com sua experiência. Até que um dia, o professor de história Franzolin dando uma entrevista na rádio da cidade, esclareceu que ocorrera um grande massacre de uma tribo indígena inteira naquela região.
Bira, ao ouvir, pôde acalmar suas dúvidas, pois aqueles gritos em volta deles mais parecia com uma tribo de índios dançando em torno de seus inimigos e os ameaçando. A língua que falavam, era lógico que não se pudesse entender pois só podia ser Caiowá.
A lembrança do ocorrido, até hoje, chega a ouriçar os pelos do braço e ainda é muito custoso contá-la.

R. Prata

P.S. Essa história é verdadeira e só mudei um nome.

P.S. Em conversa recente com o professor Franzolin, ele me relatou que o governo de uns tempos atrás até pagava para matar índios e que havia pessoas que viviam dessa matança.

9.5.11

PEQUENO PROTESTO DE UM ARTISTA PLÁTICO ESCONDIDO

Meu nome é Rubens Prata, Artista Plástico, mais conhecido como escultor. Venho aqui expor o meu protesto, pois para uma cidade com a designação de : "Turística" no nome, é um absurto esta cidade não ter nenhuma referência ou citação dos Artistas Plásticos de Avaré nos sites, blogs, folders ou prospectos. Muito menos, uma programação de visitação dos turistas em seus respectivos ateliers.
Outras cidades, mesmo não sendo turísticas, mostram seus artistas em todos os meios que já citei.
Quando procuro o Portal da Cultura de Avaré, não funciona!.
O mesmo acontece com os telefones errados e os:"fale conosco"! dos sites oficiais. Nada funciona!
Sendo assim, venho apelar aos digníssimos vereadores desta cidade "Turistica" que nos representem e tomem iniciativas a favor dos Artistas Plásticos. Digo: Artistas Plásticos.
Pois, se assim não acontecer, estes que bem podem representar nossa cidade -  como nossos artistas -  continuarão a se evadir da cidade como tem acontecido ou, ficarão escondidinhos em seus atelies esperando que seus compradores caiam do céu.
Quero salientar ainda que, pasmem,  nem nos blogs de buscas (não oficiais) da cidade consta os Artista Plásticos de Avaré.
O meu blog é: http://arteprosaderubensprata.blogspot.com  Convido a todos a me conhecerem melhor nesse blog  e repassá-lo  caso gostem.
Agradeço qualquer atitude a nosso favor.

P.S.1 -  Tentei inúmeras vezes enviar esta mensagem através dos sites da Prefeitura, Secretaria do Turismo, Secretaria da Cultura, mas os tais de "Fale Conosco" não funcionam, bem como, os telerfones.

Rubens Prata

P.S. 2 - Se alguém esperar que eu vá correr atrás de algum represetante público. Não vou! Para mim e para todos com um mínimo de descência Arte é Fundamental.

7.5.11

Ficar triste faz parte da vida
Sofrer não é feio.
A TIA DORA
Repentinamente invadiu-me a alma a saudades de um minúsculo momento de infância. Era o jeito carinhoso de a minha tia Dora colocar a mesa.
Estendia a toalha, ajeitava as xícaras “colorex” com pires, derramava o leite, bem fervido que naquele tempo era vendido em litros, colocava café do bule de louça e açúcar recém retirado do açucareiro. Tudo era bem doce. Cortava ritualmente o pão caseiro e, com a manteiga retirada da mantegueira untava impecavelmente até a extremidade das fatias.
Percebia-se nessas minúcias do café da manha a bem-querência da minha tia por todos que ali estavam.
Foi uma lembrança boa do fazer para os outros, do que conta na vida e do que, provavelmente, conta mais para o Criador.

R. Prata
Ser poeta não rende lucro
Só encanto
É o jeito de um solitário
Tecer seu canto
R. Prata
Como são incoerentes esses novos religiosos.
Se contrato o serviço deles,
Ou termino roubado,
Ou sai sempre muito mal feito.
Se me contratam
Não pagam,
Ou esquecem da encomenda.
E que Deus seja louvado assim mesmo.
Ser poeta é o prazer
De estar só
E ao mesmo tempo
Cheio de relações
R. Prata

ESTAMOS NO PARAÍSO
Quando morava no subúrbio paulistano, na zona leste, viajava sempre atento a janela do trem na esperança de vislumbrar, por segundos, algum verdezinho como: uma árvore, um pequeno arbusto, num relance e ao longe perdido entre o céu cinza e o chumbo sujo da metrópole.
Fiz o que meu anseio pedia. Portanto, há trinta anos mudei para o interior cercado de verde por todos os lados onde o céu azul e o por do Sol saúdam a vida com espetáculos majestosos e variados a cada dia.
Esse casamento entre eu, o verde, o azul, o ar, o Sol, a Lua perdurará até que a morte nos separe. Infelizmente!
Digo Infelizmente, porque essa convivência mostrou-me o tempo perdido discutindo picuinhas, amealhando quinquilharias, fabricando infernos em meio a esse paraíso que o Criador nos presenteou. Além do mais, tenho certeza que na Terra, posso banhar-me na lagoa, protegido por esse Éden a minha volta. Depois da morte o que poderemos encontrar?

R. Prata        
P.S. (As imagens acima são mesma de minha cidade de Avaré)
Ser poeta é amar
Sem saber a quem amar
É escrever
Sem ter ninguém para ler
R. Prata
Algo está mudando em mim. A palavra anda sumida, minha arte resumida.
Sei que preciso mudar, despojar-me das velhas roupas, das idéias pré-concebidas, desprender-me de mim mesmo, começar de novo o novo, sabotar meu estilo de vida, esquecer a dívida, desobedecer-me irremediavelmente. Desmontar o intelecto, não ser discreto, desaprender, renascer, perder o horário. Dormir do outro lado da cama, escutar quem me ama, não trabalhar no domingo.
É tempo de travessia e sei que é preciso executá-la, ir direto ao inusitado, fazer arrelia. Será preciso subverter a ordem, subjugar a rotina, virar o dia do avesso, ser moleque travesso. Dormir à noite, Ir ao rio nadar, subir o morro, amar, amar, amar.
Andar seis quilômetros.
Inverter parâmetros.
E, nessa altura da vida, ainda é preciso ousar. Se assim não for talvez morro.
Só não sei como fazê-lo.

R. Prata
Ser poeta é passar dias e dias,
Dando voltas e mais voltas
Para solucionar um problema
Que se resume apenas numa palavra que faltava.
R. Prata

Sou prolixo
É só o que sei
Não sei se poeta
Trovador?
Há dúvidas!
Cronista?
Talvez!
Proseador
Com certeza
Muita coisa não sei
Se sou bom artista
Se escrevo direito
Só sei que nada sei
Isso sim eu sei!
R. Prata

4.5.11


Ser poeta é a loucura deste notívago
Que fica excitado pela Lua
Que goza
Na relação com o papel.
R. Prata
PAULISTANOS
O paulistano tem jogo de cintura.
É um sobrevivente,
ninguém o segura.
Anda como pingente.
Não me empurra.
Vive um caos urbano,
enfrenta desemprego, assalto.
Respira gás  metano.
Tem palhaço no asfalto.
Tem crack, bolinha, coca-cola
Tem na praça o pregador religioso,
o mendingo pedindo esmola,
salgadinho gostoso,
o negro de Angola.
o transeunte com o cachorro asqueroso.

É em Sampa, onde convivem os povos em paz.
Tem ateu,
gente que faz.
Tem judeu, árabe e o Sr. Irineu.
Tem bairro japonês,
todos os museus.
Tem gente do Paraná,
ingleses,
franceses bebendo guaraná.

SP tem o nordestino
na construção,
o homem sem destino
o gaúcho da pradaria,
o carro na contramão,
o português da padaria.
Tem italiano,
                libanês,
                       pernambucano.
SP de todos os pratos,
                de todos os temperos,
                           de todos os fatos.

SP tem gosto,
tem sabor.
Na Praça Buenos Aires
encontrei o meu amor.

Eu, Rubens
Se juntarmos nossos problemas para comparar com os problemas dos outros. Desejaríamos ter os nossos.
Sou feito de sonhos não vividos
De decisões interrompidas
De amores não realizados
De choros que não despencaram
De lugares que não conheci
De presença que não estive
De fugas que não fugi
De palavras que falei
Quando devia ter calado
De palavras que não falei
Quando devia ter falado
Da coragem que nunca tive
Da presença não esperada
Sou só Ser humano
R. Prata
O órgão sexual mais importante do corpo humano é o cérebro.
Regina Brett – 90 anos
A COISA QUE TODO MUNDO QUER
Quero uma coisa nova
Assim... Como diríamos?
Não precisa ser nenhuma...
Máquina de lavar de marca
Nem grande, muito menos pequena
A coisa...
Não precisa ser alta ou baixa,
Magra ou gorda,
Dura ou mole,
Durável ou passageira,
É só uma coisa,
Sem leveza nem peso.
Uma coisinha
Nem concreta,
Nem abstrata.
Pode ser visível,
Mas também invisível.
Não é material,
Imaterial,
Sobrenatural.
É só uma coisa nova,
Sem sabor
E ao mesmo tempo,
Cheia de sabor.
É só uma coisa
Que com a palavra pode ser descrita
Mas também pode ser escrita.
Inclusive, às vezes,
Não pode ser escrita,
Bem menos descrita.
Todo mundo quer uma coisa. Não é?
Eu só quero...
Encher linguiça
R. Prata