24.1.10

MUNDO ESTRANHO

Mundo estranho,
estranho mundo.
Crianças mal saídas da fralda,
sem, ao menos, saber falar.
Já sabem dançar.
De mini-saia, salto alto.
Já aprenderam rebolar.
Mal começaram estudar.
Já querem namorar.

Nas academias cheias, a preocupação:
dar belas formas ao corpo.
Quem pensa em dar um sentido a vida?

Mundo estranho,
estranho mundo.
Na rádio, um apelo desesperado
insiste diariamente,
pela cachorrinha perdida.
Na rua, em frente ao Pet-Shop,
uma menina é desaparecida.

Estranho mundo,
mundo estranho.
Na sarjeta jaz um moribundo,
uns passam ao largo, outros desviam.
Os amigos de antanho?
Nunca o viram!

Mundo estranho,
estranho mundo.
Ns TV, quase em rede nacional,
o show da fé, garante saúde e riqueza.
Cantam,
As histórias dos heróis da bíblia, encantam.
Provocam êxtases.
Prometem o paraíso na Terra, dançam.
Fazem “milagres” em nome de Jesus.
Falam da alma, dos ensinamentos do Cristo?
Gritam....
Aleluia! Aleluia!

Mundo estranho,
estranho mundo.
Na mídia, o cantor sem voz,
faz sucesso com a música debochada.
Nas esquinas,
o bom poeta
encanta as meninas.

Mundo estranho,
estranho mundo.
Na TV...
Ah a nossa TV, barata e de todo mundo.
A vulgar entrevistadora,
passa horas com o mancebo vagabundo.
Ele tem algo a dizer?

Mundo estranho,
estranho mundo.
No Pará, a pequena violentada,
não sai da cadeia,
durante 20 dias com 20 homens.
Em Brasília, o vilão afortunado,
não abandona sua cadeira.
Pore mais de 20 anos,
Renan faz carreira.

Mundo estranho,
estranho mundo.
O pai desesperado
que roubou o pão.
Aguarda o julgamento na prisão.
O rei da corrupção,
visita de jatinho,
suas propriedades,
sua mansão.

Mundo imundo,
estranho mundo.
No jornal,
a notícia do planeta em devastação.
Na rua,
um homem jogando o jornal no chão.
Quer saber?
Não assisto mais televisão.

Mundo imundo.
As favas com esse mundo,
que eu não me chamo Raimundo.

Eu, Rubens
As pseudo-poesias escritas acima foram escritas do dia 26 de janeiro ao dia 5 de fevereiro de 2008.