26.1.10

HOJE EU DESABAFO
Não vou fazer aqui nenhum novo poema, poemas são para artistas especiais, vivendo e respirando arte.
Quero desprender-me das amarras que tolhem meu Tesão
Digo tesão não no sentido de macho. Mas daquela gana explosiva e incontrolável de desejo de realizar arte, de encantar as pessoas, de trazer para o mundo o melhor de si.
Pois, essa excitação que dá sentido à vida, o motivo maior para existir, sempre me pertenceu; agora me falta. E, não é de hoje, mas de algum tempo.
Perscruto minha alma para encontrar esse vírus maldito que me aprisiona. Nada encontro. Definho.
Meu corpo padece as dores da idade, do sedentarismo, mas o espírito ainda vibra, clama por entusiasmo criador.
Meu desejo não mudou , mas transformou-se a vida a meu redor, a casa, as pessoas.
A conversa é frívola, há gritos constantes, não se planeja, não se deseja, não se fala, não se ouve arte.
O mofo substituiu a caiação, a telha vasa alagando a lavanderia, os reboques sobressaem nas paredes dando aquele aspecto de desmazelo. O jardim da calçada abandonado, a calçada sempre suja, um monte de gatos que só se interessam por comida, as crianças e os gatos vandalizam os vasos de flores restantes, todas as a maçanetas quebradas o ateliê com brinquedos esparramados, minha esposa sem forças. Até as drosófilas e moscas de ralos instalaram moradia fixa na casa.
O que mais é preciso para se estar vazio?
Meu criador me ajude, eu lhe peço!.
Me dê forças para mudar esta situação.


Rubens Prata