22.1.10

E ELES DANÇAVAM ROCK



Hoje, o dia primeiro de 2008.
Mais de vinte e duas pessoas,
ocupam os espaços da casa.
Por todo lado. Gente falando.
O ar está cheio de todos os sons.
Crianças correndo,gritando, chorando.
A música do DVD, repetidamente impões seus tons:
“De quem é esse jegue...”
No quintal, ouve-se insistentemente,
outros “Vanerões”
Visitas, sem nada para contar,
conversam ininterruptamente.

O mundo está tenebrosamente vazio.
E, hoje dia primeiro de 2008;
em meio ás bem-vindas visitas,
estou só.
Terrivelmente só!
Nada para falar,
nada para ouvir.
Apenas, algo para lembrar.

Para não cair na mesmice dos forrós
Isolado em meu escritório,
coloco música variada na velha vitrola.
Lembro-me nostálgico,
dos distantes primos e primas queridos.
O Hélio está na UTI a 23 dias.
A esposa, a prima Iramar,
Trata de um câncer a anos.
Alguns se perderam no mar,
uns poucos morreram,
outros sumiram,
Alguém se embriagou.

Lembro-me:
Quando era eu adolescente,
Eles jovens adultos.
Havia, sonho, interesse, vida, sonho, desafio.
Dançavam Rock.
Rock and Roll.!
Cantavam em duplas, trios, quartetos;
Bossa Nova ao violão.
Faziam, amontoados, malabarismo numa bicicleta.
Declamavam Camões, Vinícios, As mãos de Eurídice...
Representavam: Véu de noiva, O pagador de promessas...
Discutiam Marx, Gandhi, Igreja, Incidente em Antares, Jorge Amado.
Viajavam correndo na estrada.
Eu mesmo, aos 13, dirigi um Citroen.
Apostei corrida com um trem,
até cruzar sua frente.
Loucuras!...
Falavam em línguas diferentes,
só para encher a vida com mais vida.

Hoje, o mundo está vazio,
Neste vácuo,
estou só, em meio a multidão.

Rubens Prata