26.1.10

INCONTINÊNCIA VERBAL

Hoje é 16 de Janeiro de 2010 – 11,30 hs. Raramente escrevo neste horário. Devo ter sofrido estes dias um ataque de normalidade, digo “normalidade” – entre aspas.
Faz 29 dias que operei minha vista e vou passar mais 30 dias de recuperação sem poder fazer arte. Sou um caso especial por ter uma única vista e fazendo meu tipo de arte, esparramo muita poeira prejudicial aos olhos.

Pois é:

Estou com raiva de mim.
Deixei-me contaminar com o vírus de “normalidade”,
Doença que faz o homem competir,
Em vez de solidarizar-se.
Que faz desconfiar,
Em vez de confiar.
Desacreditar
Em vez de acreditar.
É que falo pelos cotovelos.
Com um papel. É claro!
Que, humilde, tudo aceita.
Falo com o papel porque os normais.

Ah! Esses normais...
Treinados pelo ensino dirigido,
Hipnotizados pela mídia,
Iludidos pela sociedade do consumo
Estão muito ocupados.

Estou com raiva de mim,
Pois, deixei de ser louco.
A demorada convalescença,
O marasmo criativo,
Desesperou-me,
E, desespero é coisa de normal.

Pus-me a competir,
Como um animal novo a demarcar território.
Exatamente como os normais fazem.
Epa! Esse espaço é meu. Ninguém tasca!
Desmanchei meu diário com inúmeras notas
Para separar poemas como se fosse editar um livro.
Que obscena e inútil corrida!
Esqueci-me que o universo conspira a favor dos doidos.
Esqueci-me que um “lírio do campo” como ensinava o Mestre, jamais poderia vestir-se e transvestir-se tão ricamente como um ser humano.
Esqueci-me que os normais não ouvem, não vêem, não sentem.
Estão ocupados demais com a fazendinha virtual, o big-brothers, o fim do Zebedeu à bala perdida, a traição do cônjuge, o prato de amanhã.

Estou com raiva de mim,
Aporrinhei meus amigos
Com desejos normais,
Com incontinências verbais.
Estou com raiva de mim,
Desculpem-me todos,
Vou tomar tento,
Ficar logo, muito loucooooo!

Rubens Prata 16/01/09

CELEBRIDADES

Não quero viajar num disco voador,
Nem conhecer o espaço sideral.
Cá na Terra, a vida está repleta de sabor.
Meus inimigos, não estão no poder.
Quanto aos corruptos,
Um dia, vão sofrer.
Meus amigos, não morrem de overdose.
Eles cobrem as casas,
Iluminam os lares,
Dirigem caminhões,
Trazem alimentos para mesa,
Atendem o público nas suas necessidades,
Iluminam os ares.
Minhas celebridades,
Não estão na tv.
Estão bem perto,
No melhor da vida,
No meu cotidiano.

Rubens Prata – 04/01/09

{ POEMA DO NADA }

Há dias fico remoendo
Um sonho bem caro,
Escrever perfeito e claro,
Um poema,
Sem tema,
Que fale do nada,
Do nada absoluto,
E mesmo assim,
Sem ficar mudo,
Contando tudo
De um jeito resoluto,
Daquilo que é nada,
O nada com o qual eu luto.
É preciso ser Deus
Para tirar do nada
Um dia claro.
É preciso ser
Muita coisa:
Vinícius, Neruda, Camões
E todos os leões
Da palavra
Para extrair do nada,
Palavras iluminadas
Que exprimam com perfeição
O impropositado nada.

Rubens Prata 30/12/09

A NOITE DO MEU BEM,

Na intimidade do quarto,
Velo por ti.

A obscuridade quase não consente
A contemplação do seu rosto,
Cuja idade, só eterniza os traços de uma Angélica criança.
Rezo por ti.

Certifico-me que cada coisa esteja em seu devido lugar
Temperatura do corpo, suor, respiração.
Amo a ti.

Rememoro nossas aventuras,
Intimidades,
Cumplicidades.
Sei que a amo,
Sei que me amas
Como ninguém,
Sei que por mim, de tudo és capaz.

Adormeces em meus braços e,
Daqui a pouco toda poesia anoitecerá também
E quando, de novo, o Sol travestido de alegria dourada incendiar de luz sua face,
Nossa poesia renascerá - meu bem.

Rubens Prata 14/12/09 – 23 horas

CHUVAS

Chove chuva,
Chove sem parar.

Chove chuva,
Eu não vou reclamar.

Chove chuva,
Faz de novo a árvore brotar.

Chove chuva,
Limpa bem o ar,

Chove Chuva,
Lave tudo que o homem sujar.

Chove chuva serena,
Vem regar as plantas terrenas,
Colocar tudo em seu devido lugar.

Vendeta da Terra chegou,
Enchente em todo lugar,
Muito morro desabou,
Para mostrar ao homem
Quanta coisa ele errou.
O rio que assoreou,
O ar que contaminou.

Venta um vento arretado,
Arranca da Terra
A semente do mal plantado
Vingança do ar violado,
Justiça de um planeta roubado.


Rubens Prata 08/12/09

TEMPO CURTO

Já sofri de muita revolução,
Hoje que a idade chegou,
Sou mais novo do que fui.
Pouca coisa me abala,
Já sofri todos os vexames,
Enfrentei até tiro de bala. Sou artista com certeza,
O tempo para mim é sempre curto
Para tanta coisa que quero criar e “curto”.
Meu amor não é pelo dinheiro,
Penso em arte o tempo inteiro.

Correr atrás da fama eu não vou
Trabalhar até extenuar a última força,
Do último minuto, do meu último dia.
É tudo que espero fazer.

Que o Criador me proteja até lá.

Rubens Prata 9/12/09

SÓ AMOR

Amor não tem que se acabar
Amor é como flor
Tem que se regar
Deve estar exposto a um Sol de paixão
Sempre iluminado
Com carícia, beijo e muita emoção.
Deve ser adubado,
Com nutrientes de palavras
Que digam:
Eu te amo,
Durma bem. Querida!
Há que ser bem tratado
Com leite bem quentinho
E pão esquentado
Servido na cama
Tudo misturado
Com palavras meigas
Bem adoçadas.

Rubens Prata 12/12/09

TODA UMA VIDA

Todos os anos
Todos os sonhos
Todas as noites
Todos os beijos
Todos os pecados
Não tem como desamarrar
Tanta cumplicidade.

Todos os fatos
Todos os atos
Todos os tratos
Não tem como não desabrochar
Tanto amor, todo cuidado.

Todos os tempos
Sempre juntos
Não tem como evitar
Todos os filhos
Todos os netos
E, um amor eterno.

Rubens Prata 11/12/09
PROSPERIDADE?
Acontecerá quando uma lata de lixo ficar muito cheia,
Quando seu carrão importado, a diesel, soltar bastante gás carbônico,
Quando sua conta de luz e água for bastante alta,
Quando você não souber como descartar seu PC,
Quando não conseguir se livrar do seu celular
??????

Rubens Prata 07/12/09

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Enfim, mais uns dias se passaram, recapitulei aqui os novos pensamentos da semana. O interessante é que percebi, mais uma vez, que o universo conspira mesmo sempre a nosso favor realizando nossas aspirações. Pois desejei escrever com extrema simplicidade e realmente consegui simplificar minhas pequenas notas e pensamentos. Até cheguei a ser mesmo um grande caipirão.
Digo notas e pensamentos, porque realmente nunca aprendi poesia de fato. Digo mesmo que são estes escritos, meu besteirol diário. São pequenas observações de uma vida comum e em comum com muita prole.

Rubens Prata 12/12/09 às 22 horas


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OLHAR INSUBORDINADO

No metrô de N.Y., o jovem músico,
Durante o dia inteiro,
Interpretou ao violino, sublime música.
Nnguém parou para ouví-lo.
Há noite, no teatro, milhares de pessoas pagaram $150,00 para assisti-lo.
O jovem era considerado o maior violinista do mundo.
O violino era um Stradivarius.
Seria por cau sa do rótulo?

Num asilo,
Um velho decrepto,
Cobiça em sonho
A enfermeira formosa.

No farol,
O menino instiga o motorista.
Com frutas na mão.
- Compra laranja “doto”!
No quarteirão,
O Mac Donalds
Abre mais um novo salão.

Na TV,
A mulher exuberante diz:
- Não são de silicone meus seios!
Na pobre casa,
A mulher magra,
Não tem leite para seu bebê feio.

Na academia, exercita-se
A mulher do Banqueiro.
Nas ruas,
Um atleta corre o dia inteiro.
É o lixeiro.

Rubens Prata – 04-01-09
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Eu sou do tamanho daquilo que vejo e sinto e não do tamanho da minha altura.
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REGRAS IMPRESCINDÍVEIS PARA UM CAPITALISTA VENCEDOR

Se você é empresário, industrial, trabalhe no mínimo 18 horas por dia.
O lucro, a qualquer custo, deverá ser sempre a meta principal. Recuse dar remunerações acima do mínimo possível.
Descubra a maneira de burlar a lei, para pagar menos imposto.
Se desejar realizar uma obra altamente lucrativa, ficará mais fácil corrompendo algum político.
Seja criativo. A concorrência pode lhe passar a perna.
Recicle-se semanalmente.
Invente mensalmente alguma coisa nova, mesmo que não tenha como e o que inventar, pois sua empresa morrerá sem inovar-se.
Não seja nem gordo, nem magro demais, pois o visual pode ser bom para os negócios.
Dê festas e sorria sempre, até para os imbecis.
Não fume, beba só socialmente, porque pode causar má impressão aos clientes. Além do mais, pra que tanto lucro se você vai morrer de câncer logo-logo.
Não transe muito. Você pode ganhar um aspecto cansado, ou ser confundido com um viciado sexual.
Elimine a norma anterior, porque se você trabalhar 18 horas por dia, reciclar-se constantemente, inventar mensalmente você também não transará mais.
Use os meios de comunicação para provocar insatisfação no maior número de pessoas possíveis. Pois o desenvolvimento de sua empresa depende da insatisfação crônica de todo mundo para empurrar o consumo de seus produtos.

O DESENVOLVIMENTO DO CAPITALISMO DEPENDE DA ANSIEDADE PELO DESEJADO E NÃO PELO NECESSÁRIO.

Agora, se você for banqueiro, basta confiar no Banco Central que ele fará tudo por você.

Rubens Prata – 02-11-09

A SAGA DE UM NAVEGANTE

A SAGA DE UM NAVEGANTE

Capítulo: 1

Desejava fazer um blogue para comunicar-me diariamente com amigos. Mas além de ser inexperiente no assunto, estou incluso nesta modernidade capenga da era da comunicação que dia falha e outro também.

Pois é, há trinta dias, dedico horas preciosas para mandar recados aos amigos e... Nada.

É verdade, o fim do mundo chegou. Se não morrermos de bala perdida, trânsito estagnado, efeito estufa. Faleceremos de mal de orkut.

Para começar, tem as senhas, senha para o banco, o
MSN, o orkut, o site, o twitter etc.

Bem, o negócio é mais em cima, começa lá na tal da conexão, quando se acessa o discador e vem o recado malfadado dizendo que tem cabo solto.
Após verificação minuciosa... Nada.

Aparecem os códigos do por que você não conecta. Você retorna aos procedimentos para sanar as dificuldades. Anota tudo, com todo cuidado para não errar, executa a tarefa e... Nada.

Como somos brasileiros e brasileiros não desiste nunca, abrimos o programa, executamos novos procedimentos. As horas passam e... Nada.

Você liga para a Itelefonica, espera, passa por muitos, finalmente anota o número do código da reclamação e... Nada.

Depois de trinta dias atarefado, você conclui que seu computador está mesmo é com vírus. Vírus de pobre, é lógico, já que seu PC só tem 248 MB e a banda é estreitíssima, para economizar.

Claro, desistir é para os fracos. Então, você pega seu CPU, leva ao técnico e se tudo der certo e não precisar voltar, teremos pelo menos, mais uma semana, quem sabe, de grata e satisfatória comunicação.

É claro, comunicação esta, sem vídeos, já que eles não cabem na sua banda pobre.

Enfim, nesse ínterim, a gente já perdeu muito serviço, não fez mais sexo, discutiu com o cônjuge e, quem sabe, não foi morar com os anjos.

Ah! Seja bem-vindo à nova era da comunicação.


PS. Não percam o capítulo: 2. Se não estiver satisfeito, você poderá se “instruir”, fazendo cursos de Hardware, Software...

PS. Capítulo: 3. Esqueci dos Celulares, do micro-ondas, da super-máquina de lavar, do mecânico...

Rubens Prata
O internauta solitário

SEMENTES DE NATAL

Neste Natal...
Não há como não pensar nos compromissos na vida, na posteridade.
Tenhamos dias felizes ou difíceis,
Não há como não considerar,
O aparato colocado pelo Criador
A nosso dispor.
Portanto, desejo a todos um maravilhoso Natal.
Que o usufruto do planeta,
Seja também para nossos filhos e netos.
Que tenhamos ano novo próspero,
Não exatamente de consumo, mas de consciência, de saúde, de alegria.
Que aprendamos a reciclar, não só lixo,
Mas sementes.
Sim. Sementes!
Pois as sementes jogadas da janela de um trem, um dia florescerão o caminho de nossos filhos.
Semente de laranja, já tive a experiência, as formigas comem fácil.
Mas sementes de abacate, manga, tamarindo, palmeira, paineira, mamão, ypê, brotam rápido e fácil.
Sempre haverá um jardim, mesmo público, um ilha, um terreno baldio, uma cerca a beira da estrada onde plantar esta nova vida.
Aliás, neste natal, se há um consumo pelo menos, aceitável talvez seja uma bicicleta.
Poluiria nada, economizaria combustível. Melhoraria, com certeza, a saúde do ciclista.
Uma bicicleta para ir ao trabalho, às aulas, ao mercado, a padaria e, principalmente passear pelos campos com o neto esparramando sementes no ar.
É o que desejo a todos os meus amigos.

Um abraço fraterno

Rubens Prata

NATAL

Hoje é dia de Natal.
O verão começou a duas luas.
Umas poucas flores nos vasos insistem em alegrar a vida.
Meu espírito anda arrefecido,
Talvez pela falta de rosas no jardim da calçada, a ausência de flores no Ypê amarelo do vizinho.
Atormentado, inclusive, pelo som
grosseiro vagando no ar - irradiado a milhares de watts pelo vizinho.
Na TV, aquele desfile de filmes de papai Noel repetidos anualmente.
Os shows escandalosos. A promessa da retrospectiva de fatos que a gente não deseja lembrar.

Meus sentidos violentados não ousam
Nem um pequeno ensaio de enlevo
Com o bom, o belo, o poético, o Aniversariante.
Este é mais um Natal “Fast-Foode”.

Mas enfim, é natal, o espírito – não do homem de vermelho – mas o do Cristo prevalece.
O som grotesco que invadia o ar é desligado.
Parte dos parentes chega, a refeição é saborosíssima, a conversa alegre. A sobremesa então, uma festa para o paladar.
A inspiração retorna e recomeço este diário por este tema.

Enfim, é natal e, espera-se paz aos homens de boa vontade.

Rubens Prata – 25/12/09

EU NÃO POSSO SER PRESIDENTE

A noite é quente,
A lua, provavelmente cheia,
E eu, como sempre, insone,
Querendo falar a toda gente:
Não posso ser presidente.
O Arnaldo Jabor,
Chamar-me-ia de psicopata.
Não vim da elite.
Que um raio o parta.

Minha parede não ostenta Diploma,
Em coisa nenhuma sou bacharel.
No rádio, uma canção da Madona,
Desejo ser apenas um menestrel
A vagar por aí,
Cantando em Avaré ou em Roma.

A noite é quente,
Viajo, canto, recito,
Tomo iogurte,
Ponho em dia,
A conversa no orkut.

Não fico restrito
A nenhum recinto.
Pelas palavras indígenas,
Antevejo, do mundo, um fim em 2012,
Caminho entre as naves prateadas alienígenas
Vou a Paris. Eu não minto.

É. Eu não posso ser presidente.

Rubens Prata 19-11-09 às 0,20 hs.

BRINCAR DE VIVER

Dizem por aí,
Que estou assim
Ou assado.
Muito pelo contrário,
Só de idade um pouco passado.
Mas, a alma, continua criança
A distrair-se lúdica
Brincando de desenhar,
Esculpindo idéias,
A entalhar,
Caçando passarinhos
Armado de uma máquina fotográfica,
A escrever
Sem importar-se
Se tem alguém para ler,


De vez em quando,
A brincadeira rende uns trocos.
Afinal. Toda criança, de dinheiro,
Precisa um pouco.
Com certeza,
O Criador protege os loucos,
As crianças.

Rubens Prata – 02-11-09

AVIDA É ASSIM

A vida é assim:
Termina o ano,
Entra novo ano.
O melhor de tudo
É o cotidiano.
Eu te levo café na cama,
Noutro dia você me ama.

A vida é assim:
Fui feito para você,
Você feita para mim.
Amor avalizado pelo tempo,
Nunca vai ter um fim.

Pão para ser gostoso,
Tem que ser esquentado.
Vida para ser gostosa,
Tem que ter cuidado.

Você faz a janta apressada,
Eu, com desenho atarefado.
Você deita cansada,
Fico a seu lado acordado,
Velando seu estado.

Meia noite,
Sirvo-te dois comprimidos receitados,
Leite com carinho esquentado,
Pão quentinho bem recheado.

A vida é assim:
Feita com carinho e cuidado.

Rubens Prata - 30 – 10 – 09

QUE REMÉDIO?

Tenho insônia,
Tomo remédio para doido,
Meu corpo pesado,

Não segura um verbo aprimorado.
Talvez viva pouco,
Mas entre um cigarro e outro,
Persisto como louco,
São pronomes que se misturam,
Vocábulos que me empurram
A escrever treslouco.

O tempo é sempre curto.
Não sou letrado,
Nem tampouco culto
Mas, escrevo, conjeturo.
Assim a vida “curto”.

Dizem que tenho paciência.
Paciência é para fila de banco!
Tenho é prazer,
Paixão por fazer,
Tesão por escrever.
E se hoje eu não cair na cama.
Amanhã, na praça, durmo na grama.

Rubens Prata – 31 – 10 – 09

FUNCIONÁRIO DO SUB-SOLO

Chamado de rato do subsolo,
Sua profissão: empacotador, despachante, quebra galho.
E todo mundo ele embrulhou,
Empacotou o diretor,
Despachou o administrador
E na sua voz, sem voz,
A sua volta contou
Que estacionado no subsolo.
Estava sob a terra,
Debaixo do céu, dentro a terra – no centro do planeta.
Nessa “encucação” a imaginação fertilizou.
Foi de subsolo a abrigo anti-atômico.
Então a temperatura destemperou-se,
Pela falta de chuva, sol e vento.
Somente uma galáxia se formou,
Da poluição e do mundo lá fora se comentou.
Contraditório no seu espaço,
Mil caminhos procurou,
Na quarta dimensão penetrou,
Num disco voador o subsolo se transformou.
Foi daí que ele voou,
Subiu para o quinto andar, o nono, décimo,
Ao céu chegou.
Em Marte, um pouco parou
E, pelo universo enveredou,
Um belo planeta avistou,
E na Terra muito pensou.
Então de pane se enrolou,
De saudade se inflamou,
No subsolo pensou.
O infinito encontrou.
Revoou: Marte, Décimo, nono, quinto andar.
Enfim no subsolo entrou
Aos amigos abraçou.
A amizade bem fundo lhe calou.
O amor estava bem ali.
Alcimar...
Do sonho acordou
Finalmente o subsolo funcionou
Tchau.

Rubens Prata – escrito para o amigo, companheiro de trabalho no subsolo do prédio da empresa Hoechst, era falador e enrolado o tal amigo Alcimar em 1973.
,

ALGUMAS PITADAS

Para dizer-te palavras lindas
Eu preciso de uma pitada de tristeza,
Um bocado de mágoa,
Uma pá de revolta.
É que sou poeta.
Poeta feliz.
Infelizmente...

Rubens Prata – 05-10-09

INCOMODAÇÃO

Uma coisa me incomoda,
A falta de inspiração.
A perda do tesão.
Não falo de tesão de macho,
Mas daquilo que acho,
De excitação,
De emoção,
De tesão pela vida,
Do que dá sentido a tudo.
Da dor de ficar mudo.

Nem o canário da terra
Que pousa na sucupira,
O curió que berra,
O beija flor do Ipê branco,
O sanhaço azul
Visitando-me diariamente,
Nem os cães de rua
Passando para um cumprimento
Encantam-me o bastante
Para trazer-me alento.

Nem o vento avareense
Que refrigera o calor
E congela o frio,
Traz o meu amor.

Ah! O vento...
O vento mora em Avaré.
Nem ele, tem inflado a vela da paixão.
Mas, aqui tomo meu café,
Aqui eu moro
E falta pouco,
Bem pouco,
Para estimular-me
Como louco.

Rubens Prata 03-10-09

PRÉ-SAL

Estrangeiro explorar o petróleo do Brasil,
Ainda vender para nós o barril.
Ah! Eu grito.

Não tolero lero-lero,
Privatização eu não quero.
Já me livrei dos partidos,
Hoje sou muito mais querido.

Dilapidar nossa riqueza
Transferindo-a ao estrangeiro,
Financiada pelo BNDS
Sem cobrar imposto.
Ninguém merece.

Peço aos congressistas,
Não permitam desnacionalizar o pré-sal
Tomem cuidado.
É um bem que pode virar um mal.

Se você está de acordo,
Não lamente,
Reclame,
Arrebente.

Rubens Prata 05-10-09

PAPEL DA ARTE

Penso que a arte,
Deva trazer beleza
Para o mundo,
Encanto para as pessoas.

Mas palavra
Na madeira
Não se lavra
Não se pinta
Com pincéis.
Como não posso enviar por E-mail
Minha arte plástica.
E, não sou tão bom artista da palavra.
Para pintar por escrito
O que sinto
Apenas digo:
Como é gostoso ter sua amizade.

Rubens Prata 12-09-09

CHOVE LÁ FORA

Tirei folga.
Queria fazer
Alguma coisa nova.
Mas chove lá fora.

Quem sabe encontre
Inspiração para escrever
Mas o tempo é frio, cinza,
Escuro, molhado
E, chove lá fora.
Tai-Chi-Chuam talvez.
Mas sem companhia,
Sem estímulo?
Chove lá fora.

Tirar uma soneca
Seria uma boa.
Mas a alma irrequieta,
Fervilha!
Chove lá fora.

Há tempos
Uma escultura do São Francisco
Espera para ser feita.
Mas há compromissos outros.
Chove lá fora.

O corpo dói,
Mereço descanso,
Mas trovoa, venta, relampeia
Sobretudo em minha alma.
A chuva da alma
Molha minha face.

Rubens Prata 10-09-09

TUDO MUDOU

Do saber,
Só sei agora que nada sei.
Partido político?
Só o meu, o das Artes!
Do religiosismo
Sobrou a religiosidade.
Do ter que fazer
Ficou o fazer por prazer.

O forte ficou cauteloso.
O instrutor
Virou aprendiz.
O hábito de ensinar
Misturou-se a mania de amar.
O correr,
Agora é só, discorrer.

O medo transmudou-se em confiança.
O adulto virou criança.
O Deus procurado,
Mora comigo.

Mas...
Como dizia Drumont:
“De tudo ficou um pouco”

Rubens Prata 13 -9-09

PRAÇA PADRE TAVARES

O paraíso é aqui.
Do passeio do Turista.
Da cerveja gelada,
Do caminho do vento,
Da mesa na calçada.

O Brasil é logo ali:
Rua Bahia, Pará,
Rio Grande do sul,
Rio de Janeiro.
Não me tirem daqui.

O sorvete gostoso da esquina,
Na Cidadania uma boa canção,
Na rua, a bela menina,
O rapaz com o violão,
O encontro de amigos,
A paz do hippie.
A majestosa Nossa Senhora das Dores.
Por favor, não me tirem daqui.

A música na Concha,
O espaço vazio,
O menino do Skate,
O quiosque do Rubens,
A alegria do Tadeu,
O encontro de artistas.
Não me tirem daqui.

Não me tirem daqui
Da sombra das árvores,
Tem bem-te-vi me olhando,
Maritaca na palmeira reclamando
Curió no ipê branco,
Sabiá laranjeira voando
Tem Azaléia,
E petúnia florando.
O paraíso é aqui
Na Praça Padre Tavares.

Rubens Prata 13-9-09

VAZIO, VAZIOZINHO

As palavras fugiram.
Não as encontro.
Ando vazio:
Vazio de idéias,
Vazio de sentimentos,
Vazio de tristeza,
Vazio até de sofrimento.

Se houvesse, pelo menos,
Uma gota de mágoa,
Seria motivo para as palavras brotarem.
Mas, até as lágrimas me esqueceram.

Ando vazio de vazio.
Vazio já seria alguma coisa a ser cheio!
Ando nulo, incólume, indiferente.
Pior ainda: Conformado!
Conformado com a incompetência,
O desrespeito,
A má vontade,
A preguiça,
A desordem...

O que me dá medo,
É que não esteja só com o corpo velho.
Mas com a alma cansada, enrijecida.
Pois, não brigo,
Nada falo.
Não grito:
Basta!

Ando vazio,vaziozinho!

Rubens Prata 28-8-09

POUCAS PALAVRAS

Eu não minto
Palavras são importantes para mim.
Queria tê-las:
Para dizer o que sinto,
Para secar os prantos.
Para fazer graça,
Provocar um encanto.

Queria tê-las
Para trazer paz à existência,
Para contar do universo conspirando a nosso favor.
Para abrir um sorriso em faces tristes.
Para do fundo do coração, dizer:
Amamo-nos,
Como irmãos, como amigos, como família!
Somos amados
Como almas que caminham pela eternidade.
Somos amados pelo que fazemos,
Até pelo que não fizemos.
Somos amados por anjos e entidades
Que embora desconhecemos.

Queria ter palavras
Palavras meigas, alegres,
Para distribuí-las a mãos-cheias.

Rubens Prata 20-08-09

EU QUERO É BRASIL

Basta desses mesmos rostos,
De tanto chá
Com o mesmo gosto.
Eu quero é Brasil,
Goiabada cascão
Com muito queijo
Dar-te na rua, em público,
Na boca, um grande beijo.

Basta desta única dança,
Dessa repetida canção.
Eu quero é Brasil
Com tanta nuança.
Rock, Baião, Bossa, Samba-canção.

Basta desse único, venerado,
Enorme e sujo rio.
Eu quero é Brasil,
Do rio Iguaçu, do novo,
Do de Janeiro.

Eu quero é Brasil.
Seja: “Tupi or noTupi”
De branco, ruivo, amarelo,
De Negro, cafuzo,
De vermelho,
De pardo confuso.

Basta de monstros,
Super-heróis, policiais.
Eu quero é Brasil
Copacabana,
Central do Brasil.

Eu quero ver
O maior amor do mundo,
Curumim, Pererê, Magali
Menino Maluquinho
E tudo o que vem por aí.

Nada disso de mesma religião,
Do mesmo partido.
Eu quero briga!
Brasil, confusão.
Desigualdade,
Liberdade, emoção.

Eu quero essa criança imatura
Com tudo por fazer.

Rubens Prata - 03/08/09 – 5,30 hs

OPINIÃO É TABU

Interessante...
Entre nós tupiniquins, fofoca está na “Caras”.
Tem revistas, programa de
Fofoca na TV. Fofocas há, entre visinhos, companheiros de trabalho, no jornal.
Mas se você falar que não gosta de programa religioso na tv. Nossa! Aí o bicho pega.
Se disser que ama de forma diferente os filhos. Cuidado! Você pode ser linchado.
Experimente dizer que não gosta dessa nova música sertaneja. Vai arrumar intriga, pelo menos uma peleja.
Pois é, nada é tão ruim que não possa piorar.
No país da fofoca, opinião é tabu.

Rubens Prata – 04/01/09

CRIANÇAS

Criança!...
Criança é criança. Uai!
Despertam na gente
Os mais bonitos sentimentos.
A puxada do cobertor na madrugada,
O beijo na testa,
Cujo carinho, propositadamente,
A febre atesta.

- Ulisses. Põe a blusa!
- Augusto.Olha o carro,
Saia da rua!.
- Olha vovô a minha dança!
-Tá bom Eduarda, mas não saia do banheiro nua.

Criança é alegria.
Um abraço apertado
Prendendo-lhe os joelhos
E outro, ao mesmo tempo,
Sufocando-lhe o pescoço.
- Vô. Eu te amo!
- Vô. também te amo!

- Augusto!...
Não coma toda torta.
- Felipe!...
Não bata mais a porta.

Criança é arrelia,
Folia sem escrúpulo,
Um ataca a geladeira,
Outro sobe pelos batentes,
E o pequeno bate a porta do armário
Que outro, um dia, já quebrara.

Vovó é alegria dos netinhos,
Dá bronca,
Faz bolo,
Fica tonta.

- Olha o Felipe comendo Isopor.
Isabella
- O Felipe defecou!
Bem, nem tudo é perfeito.

Rubens Prata 15/08/09 – 3,00 Hs.
HOJE EU DESABAFO
Não vou fazer aqui nenhum novo poema, poemas são para artistas especiais, vivendo e respirando arte.
Quero desprender-me das amarras que tolhem meu Tesão
Digo tesão não no sentido de macho. Mas daquela gana explosiva e incontrolável de desejo de realizar arte, de encantar as pessoas, de trazer para o mundo o melhor de si.
Pois, essa excitação que dá sentido à vida, o motivo maior para existir, sempre me pertenceu; agora me falta. E, não é de hoje, mas de algum tempo.
Perscruto minha alma para encontrar esse vírus maldito que me aprisiona. Nada encontro. Definho.
Meu corpo padece as dores da idade, do sedentarismo, mas o espírito ainda vibra, clama por entusiasmo criador.
Meu desejo não mudou , mas transformou-se a vida a meu redor, a casa, as pessoas.
A conversa é frívola, há gritos constantes, não se planeja, não se deseja, não se fala, não se ouve arte.
O mofo substituiu a caiação, a telha vasa alagando a lavanderia, os reboques sobressaem nas paredes dando aquele aspecto de desmazelo. O jardim da calçada abandonado, a calçada sempre suja, um monte de gatos que só se interessam por comida, as crianças e os gatos vandalizam os vasos de flores restantes, todas as a maçanetas quebradas o ateliê com brinquedos esparramados, minha esposa sem forças. Até as drosófilas e moscas de ralos instalaram moradia fixa na casa.
O que mais é preciso para se estar vazio?
Meu criador me ajude, eu lhe peço!.
Me dê forças para mudar esta situação.


Rubens Prata

UM PC FERIDO

Meu pczinho de 246 MB de banda estreitíssima parecia o tal, aguentava qualquer brincadeira, participava de muita prosa. Até o dia, no qual ocorreu o acidente.
Acabou na U.T.I. cheio de vírus, HD fraturado, todo encrencado.
Três meses para recuperação não foram suficientes. Ficou capenga, perdeu a memória dos livros que guardava, as histórias em quadrinho, uma centena de poemas e trocentas fotos que mostravam arte e aventuras por Avaré.
Mas é com essa mesma mula manca, totalmente cega para scraps complicados e vídeos que retorno para os amigos tentando reabilitar-me com novas emoções e bons sentimentos. Tirando do fundo do coração palavras fresquinhas que levem alegria, encanto e um abração a todos os que me mandaram congratulações e esperanças de um pronto restabelecimento de contato.

Rubens Prata 17/08/09

DESENCANTO

Hoje...
Não consigo encantar ninguém com minha arte,
Nem mesmo, me encantar com a vida.
Não canto aos meus amores.
Nem posso falar de flores.
Não posso brincar de rimas,
Navegar na internet com minhas primas.

Hoje...
Estou triste!
Indignado,
Mortificado,
Amargurado.

Tenho vergonha de ser homem.
Portanto,
Não posso escrever um belo poema.
Não consigo olhar as aves no céu
Nem ver os lírios do campo.
Só posso pensar em gente aos pedaços.
Mãos, cabeças, pernas, olhos,
De mulheres, homens e crianças despedaçados.

Hoje...
Não consigo amar.
Estou puto,
De luto,
Com raiva,
Sou um bruto.

Minha alma está morta.
Morreu como morreriam
Meus pais,
Filhos, netos e primas.
Morreu com meus semelhantes
Num longínquo país.

O pior é que:
Não morreram por acidente,
Nem morreram por causas naturais.
Morreram por ódio,
Por racismo.
Em Gaza.

Hoje...
Só posso chorar
Com vergonha de pertencer à raça humana.

Rubens Prata

(Acreditando que a causa seja justa, peço aos queridos amigos e família que escrevam ou repassem este E-mail repudiando o ódio e o racismo em todo o planeta. Penso, que assim possamos manifestar nossa indignação com o que acontece em Gaza e em outros lugares.)

LEMBRANÇAS VAZIAS DE UMA VIDA EM SILÊNCIO

Como falar de uma sombra de si mesmo.
De uma existência espectral,
De viver em silêncio,
Dos anos sem acontecimentos?
É como dizer de um retrato na parede
Parado, extático e em branco e preto.

O que dizer de palavras do silêncio?
Por acaso. Poder-se-á contar as aventuras de uma vida –
Só de trabalho?
Como extrair alguma coisa
De quem viveu à margem dos acontecimentos?
Quais os sentimentos,
Dos melhores momentos?
Daria para lembrar-se de amores guardados no cofre!

Meus quadros são fortes e coloridos.
Retratos de uma existência retida
Em branco e preto.
As esculturas são fortes e expressivas.
Para contrapor talvez, um corpo disforme,
Sedentário, Parado.

Nunca fui preso,
Mas nunca saí ileso
Não tenho história que seja de peso.
Sou a bomba que não aprendeu a explodir,.
O viajante com medo de partir.
Nem tinha lugar aonde ir!

Rubens Prata - 24 – 12 – 2008 – 19,30 horas

SER BRASILEIRO

Quando lembro ser brasileiro,
Não recordo o subdesenvolvimento
Só penso na mistura de temperos
Com sabores de todas as raças,
Com aromas de todos os cheiros.

Quando penso ser brasileiro,
Lembro bem, como sou antropófago.
Saboreio bem o estrangeiro,
Degluto, transformo e,
Devolvo melhorado bem ligeiro.

Quando lembro que sou brasileiro.
Tenho certeza:
Sou guerreiro,
Sou bravo,
Sou forte.
Mas não sou filho do norte,
Nem do oeste,
Do sul e do Leste.
Sou filho e fruto da Terra,
Sou o seu melhor gem
Sou o sal da terra.

Rubens Prata 23 – 12 - 2008

TV ABERTA

Não quero saber de crises,
Nem assistir na TV
O show das meretrizes.
Mulher melancia,
Melão, moranguinho.
Que agonia!

Por favor,
Não quero saber
O que aconteceu
Com a morte do Zébedeu.

Não quero saber da programação
Que mais me apetece.
O que vem por aí,
Ninguém merece.

Chega de ouvir falar de bandido.
Esse assunto,
É tempo perdido.
Pior ainda,
É tempo sofrido.

O show do Ton,
Mulher Melão,
Pó ke mom,
Vá lamber sabão.

Rubens Prata – 24 – 12 - 2008 - 16,30 horas

O BEM E O MAL

O mal domina
Porque o bem é tímido.
Mas quando o bem se anima,
Todo mal termina.

O mal domina,
Faz da vida uma triste sina.
O bem aglutina,
Faz da vida uma feliz rotina.

O mal é morte.
Traz consigo devastação,
Corrupção de toda sorte.

O bem é forte.
Traz consigo construção,
União e muita sorte.

Desculpem estes versos
Simples e tão pobres.
Mas eu queria tanto dizer
Que o universo,
Ampara as almas nobres.

Contra o mal,
É preciso lutar
Sem nunca fugir.
Pois, é lícito reagir
Sempre,
Quando o mal,
Tornar qualquer vida, imoral.

Já dizia o mestre:
“É preciso que sejais
Quentes ou frios,
Porque se vós fordes mornos,
Eu vos vomitarei da minha boca.”

Rubens Prata – 24 - 12 – 2008 – 11 horas da manhã.

MADRUGADA DE NATAL

Nesta madrugada saí à rua
Para ver e sentir o natal.
Uma única estrela entre as nuvens,
A rua, vazia de gente.
Só sentimentos andantes
Perambulavam pelo ar.
Sentimentos de gratidão,
De alegria,
De carinhos,
De arrelia de menino.

A rua vazia.
As casas lotadas
De sabores,
De confraternização,
De amores.

Tudo pára.
Para celebrar-se o nascimento do amor.
Deseja-se:
Felicidades.
No ano vindouro,
Prosperidade.

Tempo de reflexão,
De planejar a vida,
De colocar o pé no chão.
Desejamos felicidade,
Saúde, prosperidade.

Prosperidade material?
Arrancando do planeta
Tanta prosperidade
Veremos o seu final.

Desejemos então,
Um novo estilo de existência,
Uma vida saudável
Que possa ser auto-sustentável.
Uma vida permanente de amor.

Que saibamos.
Sentir os perfumes do ar,
Das flores nos nossos jardins,
Das árvores no passeio,
Dos aromas do mar.

Desejemos, de hoje em diante,
Contemplarmos a estátua
Que não sabíamos de quem era antes.
Cumprimentarmos o lixeiro,
Dizer bom dia ao padeiro.

Decretemos, de hoje em diante,
Nunca desprezarmos
Um por do Sol,
Uma estrela,
Um pássaro no céu,
A chuva cantarolando no telhado,
Um toque de mãos,
Um abraço bem apertado.

Desejemos
Que a vida seja muito rica,
Rica de atitudes,
Plena de virtudes
E, que a felicidade assim permaneça.
E, que em todos os dias,
Agradeçamos esses presentes
Que o Criador nos proporcionou.

Rubens Prata - 24 - 12 – 2008 – 02,44 horas da madrugada.

CONTRACENSOS

Por que eu tenho telefone, internet?
Me sujeito aos roubos da Estatal espanhola – “Telefonica”?
Da globalização sou um fantoche?
Penso que sou caso de deboche.

Estou escravo do consumismo?
Por que me sujeito à ditadura do falar inglês?
Meus netos nem aprenderam o português!
Por que preciso de telefone se tenho celular.
Posso falar de qualquer lugar.

Meu genro se diverte jogando futebol.
Minha esposa gosta de pescar.
Eu adoro nadar.
Por que não saio deste lugar?

Não me iludem as “marcas”,
Praticamente, não preciso de nada,
Só de uma camisa surrada,
Bermudão e uma sandália.

Eu só quero ter uma flor no vaso,
Um pé de Ypê na calçada,
Ver o João de Barro.
Ouvir boa música
Sentir a vida fluir,
Quero mesmo, é pisar no barro.

Eu Rubens Prata - 01/12/2008

GLOBARITARISMO

Tivemos Franco, AI-5,
Stroesner, Médicis, Pinochets
e muitos outros cacetes.
O inimigo não estava oculto
Sabíamos como e a quem combater.

Agora...
Temos outros totalitarismos.
Fruto e efeito do Globalitarismo.
Chegando na surdina
Contaminando nossa rotina.

Temos sim, outros totalitarismos.
Da música da pior qualidade,
Da droga, da maldade,
Da mulher magra,
Do comércio religioso,
Do bispo tenebroso.

Temos ditaduras pavorosas.
Da mídia a serviço das multinacionais,
Do lucro sem fim do banqueiro,
Das empresas institucionais
Do jogo financeiro
Do consumismo desenfreado,
Do homem desempregado.

Temos sim, ditaduras...
Da obrigatoriedade da língua inglesa,
Do império que continua
Da ignorância, da frieza.

E agora “Mané”?
Temos quem, como, onde combater?

Eu, Rubens Prata - 01/12/2008
Não importa o que digam,
Os que me criticam.
Eu afirmo:
No Brasil, não tem Afro-descendente
Tem sim, Afro-ascendente.
Porque, antes de tudo, somos brasileiros
mescla de todos os gens
de todas as terras,
Somos a semente híbrida
do planeta Terra

INSÕNIA

Quatro horas da madrugada.
E eu aqui...
Digerindo minha insônia.
Apesar de revoltado com a falta de sono,
não estou triste.
Se tivesse mesmo triste,
seria bom,
porque da tristeza,
sempre se extrai palavras
de bom tom,
de alguma beleza.
Pois na profunda solidão,
em meio a mais completar escuridão
se vislumbra melhor as estrelas.

Revoltado estou...
Mas é uma revolta infame,
Daquelas que não tem reclame
Ou qualquer causa que me inflame.
Revolta, às vezes
é boa companheira das palavras,
Quando berra contra desumanidade,
Quando clama contra a maldade.
Mas esta revolta é infrutífera,
Resulta de minha agonia,
De noite mortífera
De noite de insônia.

Eu, Rubens Prata - 30/11/2008 - 4,45 horas da madrugada

24.1.10

O QUE O RIO TEM A NOS PROPOR

O rio tem a nos propor:
Um bom lugar para acampar.
Um cantinho para namorar,
Um barranco para pescar.

O rio tem a nos propor:
Uma vela aberta no ar,
Um barco a navegar,
Um passeio de canoa.
Nada como estar à toa.

O rio tem a nos propor:
A mais bela paisagem,
O verde e a flor da margem,
Um caminho,
Uma viagem.

O rio tem a nos propor:
Um delicioso peixe,
Água para beber,
Um banho, o laser,
Um mergulho com prazer.

O rio tem a nos propor:
O reflexo do entardecer na água;
Do céu, do Sol, da Lua;
A mais bela vista.
Não há quem resista!

O rio tem a nos propor,
O vôo dos pássaros,
Um êxtase.
Este poema.

O rio nos propõe
Sobretudo vida
A vida nossa,
E de todos os nossos netos.

Agora!...
O rio tem muito a nos pedir também.
Não me desmate!
Não me suje!
Por favor, não me mate!

Eu, Rubens Prata – 30/11/2008 – 3,53 da madrugada

O HOMEM GLOBALIZADO

O homem esqueceu-se do homem.
O homem é o lobo do homem.
O homem tanto consome.
Tem gente passando fome.

No planeta. O homem é animal em extinção,
Um fantoche da globalização.
O homem destrói a natureza.
Tem gente vivendo na pobreza.

O homem faz parte da humanidade.
Porém, esqueceu-se de ter Humanidade.
O homem virou bicho.
Tem gente catando lixo.

O homem perdeu a educação,
Só para cachorros, dá toda a atenção.
O homem abandonou seu ninho,
Não educa mais seu filho (ou niño),

O homem, hoje é um ser sem voz.
Entretanto, é seu próprio algoz.
O homem tem como parâmetro, a esperteza.
Mas, esqueceu-se de valorizar a interior beleza.

O Homem não trata do homem.
O homem se trata no SUS.
O homem mata o homem.
O homem é só massa de manipulação para o homem.

Ah! O homem...
O que foi feito do homem?

Eu, Rubens Prata - 29/11/2008 - 2,29 horas da madrugada

SAUDADES DE MIM

Eu não tenho saudades de mim
Da escola que não estava lá
Das turmas que não aconteceram
Dos carinhos que não me lembro
Das aventuras que não ocorreram.

Eu não tenho saudades de mim
Das músicas que não ouvi
Tocadas no rádio que não tive
Dos beijos que não roubei
Da moça que não namorei.

Eu não tenho saudades de mim
Da minha menor idade
De gigante timidez.
De toda minha miserabilidade
De tamanha ignorância
De tacanha inferioridade.

Eu não tenho saudades de mim
Portanto, não sou saudosista.
Eu fiquei quieto demais,
Medroso demais,
Obediente demais.

Mas, como diz o poeta:
De tudo ficou um pouco
Um pouco de Rock and Roll
Que um dia muito dancei,
Um pouco do mar,
Quando o vi, pela primeira vez
E nele... Correndo me lancei .

Rubens Prata – 05-11-2008 - 16,50 horas

GLORIOSA MANHÃ

A chuva acabara de lavar a rua.
Reencarna um belo dia.
O sol criança brinca de aquarela com as nuvens
As maritacas com vozes rachadas
Dão tons de verde no muro vermelho em frente de casa.
Os colibris bailando freneticamente,
osculam o Ypê amarelo na calçada do vizinho
As palmeiras Imperiais, do outro lado da rua,
Balançam suas copas ao sabor do vento.

As rosas.
Ah! As rosas...
As inumeráveis e variadas rosas do jardim na calçada,
Transvestidas de seu melhor esplendor,
Brindam ao céu esta maravilhosa manhã de primavera.

Qual será meu papel neste cenário?
Só sei que o espetáculo do hoje
Merece aplausos em pé.

Eu, Rubens Prata – 23-10-2008 – 4,35 horas

COISAS DO TEMPO


Tempo é entardecer,
Renovar conceitos,
Aprender a desaprender.

O tempo é o tal
Que faz você conhecer
Que nada sabe.

Rubens Prata - 23 -10- 2008 – 1,52 horas

QUEM ME DERA

Quem de dera poder escrever todos os dias,
Ter inspiração a toda hora,
Poder realizar toda criação que mora em minha alma.
Quem de me dera olhar a aurora.

Quem me dera entender Drumont,
Encontrar você.
Quem me dera só falar de amor
Quem me dera poder escalar um monte.

Quem me dera fazer uma revolução,
Desvendar os mistérios que povoam minha mente,
Conhecer o mensageiro do Sol,
Entrar em ebulição.
Quem me dera...

Eu, Rubens Prata – Setembro de 2008
(NOTA: Sei que o poema não está bom, mas enfim. Quem dera fazer tudo isso)

OBRIGADO AMIGOS ERON E ANTÔNIO MARCOS

Eu queria escrever porque sou grato.
Gratos aos amigos que dão eco
aos meus gritos fortes ou fracos.

Eu queria escrever porque sou grato.
Porque ouvem meu canto de dor
Meu verso ao Sol e a flor.

Eu queria escrever porque sou grato.
Não sou daqueles que comem
e cospem no prato.

Eu queria escrever para agradecer,
para dizer - amo vocês

Eu, Rubens - 21-10-2008 às 2,37 horas

(NOTA: Se não sou poeta de verdade, pelo menos, tenho senso crítico, por isso, sei que estes meus versos são chulos. Não são bastante bons para pô-los no ar, mas são verdadeiros. São meu pequeno agradecimento a vocês Eron e Antônio Marcos)

PARA O AMIGO DO ORKUT J. ALVES

Tu és um poeta.
Poeta maior,
Sem dúvidas,
Tu respiras poesia,
Vive poesia
É, em si, a própria poesia.

E poeta...
Como diz o ditado:
Poeta se está triste,
Quanto mais triste
Canta.

E cantando....
Por paradoxalmente que seja,
Encanta o semelhante,
Embeleza o planeta.

Poeta é assim...
Um ser que transcende
Penetra em nuances do cotidiano
Que o olho comum não percebe.
Traz à tona a beleza velada.
Faz vida do nada.

Tu és poeta.
Poetas são anjos.
Anjos não fazem pelo lucro,
Mas fazem pela alegria,
Pelo conforto, pela beleza,
Pela introspecção,
Pelo bem do mundo.

Tchau amigo poeta.

Eu, Rubens - 19,00 horas do dia 19- 10 - 2008

OH1 VIDINHA VAZIA

Habitualmente...
Durmo bem pouco
Nestes últimos dias,
Minha insônia cresceu.
Transformou-se em gigante algoz a me torturar.
Porque fechei o coração
Às súplicas da alma.

As palavras arrebatam-me
Brincam, pulam,
Desfilam chamando minha atenção.
Zombam de mim.
A alma é leve
O corpo pesado
Não as prendo no papel
Faço-me de rogado.
As palavras insistem,
Brigam comigo.
Mas a alma é leve
O corpo pesado.
E eu, as escrevo somente na mente.
Noutro dia. Elas se vão.
E por vingança, nem deixam lembranças.

Tento me desculpar
Auto - afirmando que tenho que matar dois leões por dia
Para sustentar minha grande família.
Mas as palavras se fazem indiferentes
E não voltam jamais.
Oh! Vidinha vazia.

Eu, Rubens Prata - 5,03 horas do dia 16-10-08

CARTA PARA O ANIVERSÁRIO DA VERENICE (minha irmã)

Debaixo deste sol de primavera
O ar está cheio de expectativas
De sonhos a realizar
De novos projetos de vida
De boa saúde
De felicidades
De quereres diversos.

O ar,
Por incrível que pareça,
Apesar da distância,
Tem cheiro de festa,
Cheiro de bolo,
De doces.
Cheiros que só as crianças sentem
Cheiros de saudades
Dos tempos que o mundo foi feito para nós

O ar tem cheiro de perfumes
Porque hoje é seu aniversário
Parabéns Irmã amiga

Parabéns Porque, com certeza, o mundo foi feito para nós
Parabéns porque nossa vida é bela
Parabéns porque o universo conspira a nosso favor.

Parabéns. Parabéns

Eu Rubens Prata – 08-09-08

TEMPO É DINHEIRO?

“Tempo é dinheiro”, diz o ditado !
Isso só pode ser princípio de avarento, não de GENTE.
De gente maiúscula.

Tempo é integração,
Comunhão de Pessoas,
Solidariedade,
Bastião de sabedoria
Humanidade.


Tempo é dedicação,
Saia Justa,.
Evolução,
Temperança.
Muita inspiração.

Tempo é leitura,
Estudo,
Aperfeiçoamento.
É Feitura.

Tempo é, sobretudo amor
.

Rubens Prata - 21-08-08 23,30 hs

TEMPEROS DA VIDA

Eu nem falo de amor.
É uma palavra eletizante
que quando repetida demais soa falso.

Eu falo de pessoas.
Saindo juntas correndo de casa
para admirar a borboleta que pousou
no Ypê amarelo da calçada.

Eu falo do abraço fraterno
que a filha lhe dá,
quando não tem palavras
para amainar a sua dor.

Eu falo de encher a vida
com vasos floridos e temperos cheirosos
Falo de alho, cebolinha, salsa, pimenta
em abundância.
Que alguém carinhosamente
incrementou sua comida para torná-la mais saborosa.

Falo de café quente e forte
sempre a sua disposição.
Dos abraços e beijos dos netos.
Do amigo que sempre lhe visita
para contar dos livros que leu,
só para igualmente enriquecê-lo
com suas descobertas.

É...
Meu heróis não morreram todos de overdose.
Eles estão muito vivos
no meu cotidiano.

Rubens Prata 18-08-08

CACETEEE!!!

Chega de Bala perdida
Chega de tráfico
Chega de Sílvio Santos
Chega de Pastor enchendo o saco
Chega de música country, pagode,
Chega dessa coisa mole
Chega de perseguição de imigrantes
Chega dos novos muros de Berlim
De Chipre de Israel do México
Chega de grades na janela
Chega de cercas eletrificadas
Chega de não me toques
Não me provoque
Chegaaaaaaa!!!!!!
Vamos mudar o enfoque

Cacete!... ainda não consigo terminar 11/8/8

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Hoje é dia 11 de agosto, anda atazanado porque faz muito tempo não escrevo poemas, sinto saudades do estado de espírito no qual fico quando vivo inspirado. É muito Bom!
Mas tem uma idéia que há dias não me sai da cabeça
É sobre os muros, de Berlim, de Chipre de Israel, no México, nas casas e agora a promessa de perseguição aos imigrantes na União Européia.
O pior é que todos estas atitudes contrariam a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Declaração esta, feita após a segunda guerra mundial justamente para evitar uma terceira guerra.

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Outra idéia que me surgiu, hoje 11 de agosto, ao ver um filme de rock é sobre a mentira, ”mentira”, entre aspas, da instrução escolar, do aluno nota 10, treinado especialmente para se ajustar a este mundo capitalista no qual o homem é o lobo do homem. Esse mundo no qual o ser “científico” se acha melhor e mais sábio que o Ser mágico, o ser intuitivo, o ser vivido.
Espero que com a ajuda dos bons anjos e do universo um dia eu possa escrever sobre estes temas.

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VIDA



Voa ave sagrada,
Vai-se a árvore cortada,
Viscosa torna-se a água salgada,
Venta um ar violado.

Vigora a morte em todo lugar;
Víboras sem valor
Vomitam das fábricas muito odor:
Viventes veados voam de horror.

Voragens varrem as vidas:
Viagens de almas perdidas,
Vejam a morte voraz
Que a ganância do homem faz!

Vindita da vida virá:
Ventos viajantes virarão vendaval,
Voltará o mar na Terra a despejar,
Suas águas as almas irão lavar.

O mal na Terra enriquece
o vulnerável homem vulgar.
Malgrada sina terrestre,
Malvada vida agreste.

Com toda a força a Terra berra.
Voltará o homem a nos verdejar?
Como Deus deu aos filhos seus,
Devolverá o homem à Terra o ar?

Quero ver o homem fazer o vento voltar,
O sol brilhar,
As estrelas desembaçar,
Fazer a ave no céu voar.

Volverá o homem à força a terra
Em busca da verdura perdida
Do vôo velado às vistas humanas,
Da várzea vazia de vida vivípara.

Deus...
Faça valer a força do homem de bem
Contra a vasta violência da devastação
Da nossa nação.


Rubens Prata

(Não sei se a poesia é boa, mas tentei fazê-la toda combinada com palavras que começam com a letra “V”)

(escrito na década de 80 - tem tudo a ver com os últimos acontecimentos na Terra de hoje)

TEMPO & TEMPO

Naquele tempo
Havia muito tempo
De ir, vir,
Conversar, ler.

Neste tempo
Não há tempo
Por trabalhar, adquirir
Ganhar sem contra-tempos.

Não há tempo
Porque a televisão
Preenche nosso tempo.

Não há tempo
Porque está fazendo
Mal tempo
Chuva, Sol, frio.

Não há tempo
Para quem não quer
Perder tempo
Aprendendo, ouvindo auxiliando.

Não se pode fazer nada
Por ninguém
Porque não se pode
Perder o passa-tempo.

TRABALHAR,
JUNTAR,
BARGANHAR,

NAUFRAGAR NA TEMPESTADE
DE SEU AMBIENTE.

Formiga - Eu, Rubens escrevi e assinei Formiga - porque não tenho certeza se esta poesia foi mediúnica - mas é o que eu penso - Foi escrita na década de 70.

MENSAGEM PARA A VERENICE

VERENICE
Você é minha irmã.
Alguém que tenho nas minhas melhores lembranças,
Alguém que nunca parei de cultuar,
Alguém que nunca deixei de lembrar,
Alguém que sempre amei muito.

Você é minha irmã,
Dos passeios a pé em Campos do Jordão,
Das pequenas cavalgadas,
Das pizzas com o Zé,
Das trocas de idéias.

Você é minha irmã,
Com quem posso melhor conversar..

Você é muitoooo!

Eu, Rubens - mensagem para Orkut da Verenice em 20-07-08
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Quando uma instituição é construída com o apoio do político acaba se destruindo:
quando o interesse pelo voto acabar,
quando o governo mudar,
quando as verbas forem desviadas por corruptos,
quando num cabide de emprego se tornar,
quando...
R. Prata
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Amar é tudo,
é dar-se,
é amizade,
é a amada,
é o compromisso,
é erupção da fé,
é erupção da fera.
é não ficar omisso.
R. Prata
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Não há um caminho para resolver ou entender tudo, há apenas uma caminhada.
O caminho é apenas a projeção do caminhar. Neste caminhar tudo se coloca para que o caminho seja percorrido.

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SÓ, MAS BEM ACOMPANHADO

Hoje, às 3,17 da madrugado do dia 10-03-2008, como sempre, estou só.
Pois é...

Como sempre, estou só
Mas, por mais paradoxalmente que seja
Estou só
Mas bem acompanhado
Acompanhado pelo universo
Conspirando ao meu favor
Pela música
Fomentando minha efervescência
Pelo Criador
Pela Lua
Pelo tema inspirador
Pelas estrelas a piscarem na rua

Estou só
Mas bem acompanhado
Por velhas lembranças
Pela vida
Em suas principais nuanças

Portanto...
Não tenha dó!
Por paradoxalmente que seja
Estou só
Mas, me divertindo.

Pense em mim
Como um menino
Garimpando preciosas palavras
Só pra te dizer
Que te amo enfim

Pense em mim
Como alguém querido
A prosear com amigos
À mesa de um de um bar
Bebendo palavras
Que volitam no ar

É claro,
Não estou num bar de verdade
Não tenho dinheiro
Meus amigos morreram
Não tenho idade
Meu corpo rotundo
Não agüenta mais
Toda cerveja do mundo
Mas, como quando era jovem,
Não quero que a noite se acabe
Quero lavrar minha última palavra
Só pra dizer
Eu te amo muito
Eu te amo tudo
Eu te amo fundo
Eu te amo mudo
Eu te amo profuso

Não tenha dó
Estou borracho
Ébrio de inspiração
Beba comigo
Um gole dessa piração

Estou farto de emoção
Entornemos juntos
Uma última frase
Que deixe patente
O quanto te amo

Eu, Rubens
(Digo – Te amo mudo – porque sinto-me como estivesse mudo, mesmo porque, quem amo não lê o que escrevo e eu amo todo aquele que me lê. Amo esposa, filhas netos, amigos, leitores. Mas eles não sabem disso. Portanto, é como se eu estivesse mudo para todos.
Enfim, já são 5,30 da matina e cabe mais um cigarro enquanto vou digerindo este último poema)
Hoje, sinto-me mais liberto do que ontem.
Libertei-me do partido,
sem deixar de tomar partido.
Da religião,
sem deixar de religar-me.
Do orgulho ferido,
sem deixar de ter orgulho..
De obrigar-me a dar opinião,
sem ser cego ou ficar mudo.

R. Prata
A vida é apenas um sopro, havemos de vivê-la prazerosamente.
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TANTO EU, COMO PRESIDENTE LULA..

Fico revoltado quando o “doutor”,especialista em alguma coisa, escarnece, faz chacota com o maior mandatário deste país.
Cultura, conhecimento e principalmente sabedoria não são títulos, não se trata simplesmente de um papel na parede, escrito: ” Diploma “.
Há “doutores” só porque se instruíram numa determinada área do conhecimento se acham mais capazes de tudo saber.
Pois é! Continuando...

Tanto eu,
Como o presidente Lula
Não somos
Nenhuma mula.

Também,
Não tenho diploma
O meu bem
É minha única dona
Minha alma
Ninguém doma
Antes eu guardava ressentimentos
Por não ter diploma
Hoje, me rejubilo
Tenho sentimento
E muito mais brilho

Na vida, sou autodidata
E, como o presidente, eu li tudo.
Não sou mestre em ciência exata
Mas não fico mudo
Diante da impropriedade
Da palavra inexata

Já disse:
Sou autodidata!
Aprendo com os livros
Com o filme
Com a televisão
Com a conversa
Com a desilusão
Minha palavra
Muita gente acata

Hoje, fico satisfeito
Por não ter estudado em universidade
Eu não julgo conforme as regras da faculdade
Regras estas, que são uma só

Hoje, fico satisfeito
Pois os doutores
Só enxergam pelo ângulo da sua escolaridade
E eu, como o presidente
Sinto
Sou variedade
Pressinto
Sou multiplicidade
Me indigno
tenho Humanidade
Eu, Rubens
2,11 horas do dia 10-03-08
(A minha poesia, se é que realmente podemos chamar de poesia, deve ter erros inaceitáveis que aos olhos de um Poeta Verdadeiro seria um descalabro. Porém, mesmo com todas as falhas, sei que estou dizendo alguma coisa, que acredito ser verdade.
Escrevi sobre eu e o presidente Lula porque fico indignado com a opinião de certos -pseudo-sábios- que trazem sua opinião nefasta em rede nacional. Isto acontece quase todo dia, mas a última vez foi o J.U.R. que num programa do Jô Soares afirmou que o Lula não tinha cultura. Para que, por que, o que é cultura para ele, que tipo de cultura um presidente deve ter para governar bem?
Sinto muito, eu admirava J.U.R.)

Hoje é domingo, 9 de março de 2008. Como sempre, trabalhei muito nos últimos dias, trabalhei por encomenda, sem divertimento. Eu queria descansar, mas o descanso me estressa, liguei a TV e como sempre ligo e desligo, pois na TV, nunca nada tem. Eu queria passear a pé, mas o calor sempre me furta o passeio, depois, meu corpo é pesado e cansa carregá-lo. Felizmente, improvisei uma mesa de ping-pong e, à sombra pus-me a jogar com minha esposa. Gostei! Mas, o corpo ainda era pesado daí. Deitei.
Deitado e confabulando comigo mesmo, encontrei um dos maiores divertimentos para este gordo irrequieto. Escrever!

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Ah!...
Se eu pudesse, roubar uma frase
Das estrelas que bailam no céu.
Eu diria:
-Elas piscam para mim.
Eu vivo assim...
Garimpando palavras ao léu.
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Divergir é uma forma de promover o progresso. Dissentir é uma maneira de obstacuralizá-lo.

PARADOXOS

Nem sempre quem cala consente.
Às vezes, quem cala é complacente.
Nem toda vida é uma luta.
Nem toda mentira engana.
Nem toda verdade é absoluta.

Nem toda arma protege
Mas toda arma mata.
Nem todo fogo incendeia.
Mas tem aquele que:
Cozinha, aquece e clareia.

Nem toda estrela brilha
Nem toda luz ilumina.
Muita luz ofusca.
Nem todo pai ensina.

Nem todo vento é brisa.
Nem todo bravo é bruto.
Nem toda semente germina.
Nem toda árvore dá fruto.
Mas é certo:
Quem planta. Colhe.

Nem todo religioso é Cristão.
Nem todo cristão é bom.
Nem todo bom faz bem.
Nem todo mau faz mal.

Nem tudo que é doce é gostoso.
Nem todo que anda chega.
Nem toda relação traz gozo.
Nem toda mulher é meiga.

Nem tudo o que começa acaba.
Nem tudo que parece é.
Nem todo livro instrui.
Nem todo trabalho produz.

Nem todo que volta fica.
Nem toda música é boa.
Nem toda cobra pica.
Nenhuma vida é à-toa.

Nem todo solo é fértil.
Nem todo mundo é bem-vindo.
Nem todo monstro é feio.
Nem todo belo é lindo.

Nem todos é gente que faz.
Nem toda médica cura.
Nenhuma guerra traz paz.
Nem toda virgem é pura.

Eu falo tanto...
Não é todo mundo que me atura.
Nem tudo o dinheiro compra.
Nem todo loira é burra.

Eu, Rubens em 10-03-08
A morte é o fim inexorável da vida na Terra. Se vale a pena viver, vale a pena morrer para que esta vida seja mais vivida.

CELEBRAR A VIDA

CELEBRAR A VIDA
Depois dos 60 , cada dia dever ser celebrado,
cada dia vivido se torna, com o passar do tempo, uma vitória.
As tarefas que antes reclamávamos por fazê-las, tornam-se um trabalho importante.
Muitas pessoas e coisas que antes eram tidas como importantes, perdem seu valor.
Estatus, riqueza, diplomas, títulos, beleza – só física - nada valem.
O dinheiro tem tão somente o valor para o qual foi criado.
A gente sabe melhor agora, os reais valores da existência.
Ter a liberdade de poder dizer o que pensa,
de poder chorar como criança, de rir, de abraçar, de se emocionar sem se importar com o que irão pensar de nós.
Ensinar o netinho a fazer xixi no piniquinho,
fazer uma boa comida
Arrumar a casa com carinho.
manter um jardim florido,
trazer responsabilidades aos netos.
Aprimorar a beleza interior,
a beleza do ambiente.
Manter as velhas amizades.
Identificar bondade nas pessoas boas e,
principalmente fazer novas amizades.
São vitórias a serem celebradas.
Minha esposa, com o passar dos anos,
como um bom vinho que quanto mais amadurecido, se torna cada vez melhor
só se tornou mais bela.
O amor transformou-se de instintivo em consciente.
Tudo é feito com mais alma.
Por isso, devemos celebrar a vida.
. “Com a idade e alguma clarividência vamos compreendendo que só o amor e a amizade fazem sentido”.

Rubens Prata
Dia 24/2/08 às 5,50 horas. Esta noite, não dormi, fiquei matutando os acontecimentos da vida – bons e maus. Entre eles o que mais sobressaiu foi o de que precisamos celebrar a vida.
Ontem celebramos as 52 primaveras da minha esposa. Foi bom, comi com gosto, a torta de frango que fora o bolo salgado de seu aniversário. Estavam em casa meu genro Sidnei, minhas filhas e netos.
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Do dia 26-01 até hoje dia: 05-02-08 fiquei tentando escrever como sou realmente hoje, o que penso nesta idade e não consegui. Por isso, só ariei - (ariar = arrancar crostas). Arranquei poucas crostas de mim mesmo. Crostas estas, que não conseguem representar o – eu – mais profundo.
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CHOREI...

Ao receber sua carta.
Chorei...
Um choro aflito,
como de alguém
que quer dar um grito.

Chorei...
Um choro de saudades
por lembrar tanto nossa amizade.

Chorei...
Ao pensar na realidade,
da impossibilidade
de acompanhar a turma,
aprendendo até a maturidade.

Chorei...
Um choro restrito,
um choro escondido;
um choro retido.

Chorei...
Um choro profundo;
um choro sentido.
Um choro pelo mundo.

Chorei...
Por causa das poesias
que você escrevia
e todo mundo:
Lia, relia, discutia.

Chorei...
Um choro bom,
de tempos felizes;
um choro gostoso
de saudades
dos meus aprendizes.

Chorei...
Um choro precisado
de coração amargurado.

Chorei...
Um choro contente;
um choro desabafado;
um choro que faz bem,
um choro desagravado.

Chorei muito!
Mas não foi coisa ruim.
Chorei lágrimas que lavam a alma.
Chorei lágrimas que consolam,
que restauram as forças.
Foi bom, porque
não sabia,
não conseguia e,
precisava chorar.

Pois é. Chorei!
Um choro bendito;
Um choro aguardado;
Um choro guardado,
num peito apertado.

Eu, Rubens em + ou – 2002.
Hoje é dia 24-02-2008, 1 hora da madrugada. Estava eu neste dia procurando uma pasta para guardar os poemas escritos este ano, quando dentro de uma velha pasta reencontrei os versos a seguir:
CHOREI - (quando recebi uma carta dos meus amiguinhos – os ex-alunos: Fábio e Michele no ano de 2002.)
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Os índios guaranis quando querem dizer que uma pessoa fala muito, dizem que esta pessoa é: “nhenhenhe” e se ela for mais prolixa será: “nhenhenhe – nhenhenhe”.
Acho que fui só: nhenhenhe – nhenhenhe ... .... ....
De qualquer forma, me desculpe! Pense que estou caindo de bêbado, contando casos na mesa de um bar com amigos igualmente embriagados. Por isso só sai “ nhenhenhe ...”

MINHA CASA

Quero ficar com o pé no chão.
Não quero dar voltas pela galáctica.
Não vou viajar num disco voador.
Nem desejo conhecer a Via Láctea.

Meu gênio animal está perfeitamente adaptado,
para aqui existir.
É aqui onde posso ter liberdade.
Aqui, onde tenho raízes profundamente plantadas.
Aqui, onde minhas sementes foram espalhadas.
As sementes que dão frutas:
caqui, jabuticaba, sapoti
As sementes que dão frutos:
consciência, caráter, dignidade.
.
O planeta Terra é minha única casa!
Não tenho onde ir!
Não posso partir!
Não há como sair!

Devastar deve ser motivo para a guerra.
Queimar a floresta é matar nossa vida.
Derrubar árvores é roubar nossa Terra.
Essa gente assassina,
só pode ser tratada como bandida,
deste planeta,
deve ser banida.

Não sou forasteiros.
Sou filho da Terra.
.Sou feito de água
do rio,
do céu.
do mar,
Fui esculpido com o pó da terra
Preciso do ar.

Sou da terra o sal.
Sou aquele que faz a diferença,
Sou mesmo o mineral,
Sou aquele que pensa.
Sou guerreiro.
Sou bravo.
Sou forte.
Posso enfrentar o poder,
até a morte.

Minha arma é minha língua.
A luta é minha sina.
Venha comigo,
quem a mim se afina.
Nosso canhão é a palavra.
Nossa metralhadora a internet.
Nossa bomba atômica é a atitude

Sai da frente
que eu atropelo.
Minha bandeira
é o planeta Terra.
Minha arma é o verbo.
Minha paciência já era.

Eu, Rubens
Eu sempre quis partir daqui, sempre desejei saber como era outros mundos, Mas um dia quando comecei a escrever sobre isso. Tive um sonho com outro lugar – foi horrível – aí eu percebi que meu lugar era aqui e é nesta Terra que podemos tudo.

SIMPLESMENTE

Simplesmente eu te amo.
Não sei de onde,
não sei por que.
Simplesmente eu te amo.

Você não pensa como eu,
Não participa dos meus sonhos,
Não gosta das coisas que gosto.
Não chora com meus desenganos.
Mas...
Simplesmente eu te amo.

Você está sempre por perto.
Daí, não sente saudades.
Não liga para o meu verso.
E eu, não sou nada esperto.
Mais sei que...
Simplesmente eu te amo.

Você cuida de mim,
me faz um café.
Eu vivo assim:
te servindo na cama,
te fazendo um cafuné.
Simplesmente eu te amo.

Na doença, na riqueza.
Na saúde, na tristeza.
No trabalho, na pobreza.
Simplesmente eu te amo.

Nélia...
Por ti, tenho todo amor.
Seja discutindo,
seja na dor,
seja plantando flor.
Simplesmente eu te amo.

Eu, Rubens

CACHORROS & CIA.

Esta história de cachorros e gente advém de meu hábito de observar a flora, fauna, edifícios, gente. Tudo enfim.
Na praça, onde trabalhava , tinha muitos amigos, inclusive nove cães de rua. Havia um baixinho, negrinho e mau humorado que tanto se recusava a brincar com os outros animais quanto a se aproximar de mim. Fora o rabugento, essa turma canina, passava para cumprimentar-me todo dia, parando sempre para uma conversinha. Papo de cão, é claro!
Aquela conversa gostosa estabelecida através de rabo abanando, alegres latidos, de ficar em pé apoiado no seu corpo, de pulinhos, de lambidas, de deitar-se no chão de barriga para cima mostrando submissão e humildade, de chegar com cabecinha abaixada e olhar amistoso.
No grupo, dois garbosos e grandes cães pareciam irmãos. Eram esnobes, recusando, às vezes, o prato mais apetitoso. Os outros, sem cerimônia, comiam de tudo. Mas, individualmente, cada um, guardava personalidade inconfundível. Dois deles, ao aproximarem-se de mim, davam a volta na rua, passando por trás, olhando de soslaio temendo o jacaré de madeira que esculpira. Um amalucado postava-se sempre a frente de um São José de cedro a latir a fim de chamar sua atenção. Sou escultor e essas doidices representavam sincera homenagem à minha arte.

Cara de um focinho de outro!
Era hilariante, o Pit Bull abre alas instigando os transeuntes a desviarem dele e do dono que trazia atrelado a forte corrente. A coleira preta, adornada de metais era igual as que prendiam os pulsos do jovem. Lá estava o par perfeito!
O rapagão, muito bem produzido em academias possuía igualmente ao cão um peito gigantesco, braços explodindo músculos, cabelo serrado a moda “bad boy”. Despertavam a idéia de que seus cérebros, deveriam ser do mesmo tamanho e, a dificuldade da fera ao coçar as pulgas com tanto peito e músculos deveria ser semelhante a do rapaz ao limpar suas partes pudicas.

Ah! O Pit Bull faz lembrar-me do gigante maravilhoso São Bernardo babão que puxava sempre um lambuzado, franzino e indefeso velho pelas ruas, defecando troços de elefante por toda a calçada sem o menor escrúpulo.


Bem, nem tudo é ruim, há fatos piores ainda!

Semana sim, semana também, transitava nas proximidades a ricassa com seu milionário animal – (o Ferrari dos cachorros) . Ele era alto como a mulher, seus longos e rigorosamente penteados cabelos eram idênticos aos da “madame”. Não tinham a menor sensibilidade artística, nem respeito ao semelhante. A fulana esperava pacientemente o dito cujo cheirar e urinar nas minhas obras, em seguida, vinha aquele troço fétido junto às imagens de madeira. Depois, ambos de rabo e nariz empinados, partiam sem a menor consideração. Esperava eu, um dia, pegar essa dona e esvaziar minha bexiga cheia, em suas pernas!

De vez em quando, aparecia o senhor de má fama. O tal acomodava-se no banco da praça com seu Pastor Alemão. Era até bonito de olhar aquela dupla juntinha no banco. Mas, ao passar alguém na calçada, o diabo, em fúria inesperada precipitava-se contra o transeunte, matando de susto o distraído. O sujeito calmamente puxava o demônio pela correia de volta para cima do banco sem pedir nenhuma desculpa às pessoas.
Talvez fosse justamente esta atitude, o motivo da fama daquele homem.

Minha esposa, adora animais, chega ao cúmulo de desviar a atenção ao volante, para mostrar-me um cão como se tivesse visto um canguru solto em plena cidade.
Pois é, ela mesma correu para paparicar um Maltês alvo que vinha sendo carregado por uma senhora de focinho fino, sapato alto, passinhos curtos e barulhentos como haveria de ser os passos da cadela se não estivesse em seu colo. A mulher sentiu-se lisonjeada com tanta admiração. Agradeceu, falou sorridente sobre não a colocar no chão para não sujar suas patinhas. Porém, quando minha mulher foi acariciá-la. A infeliz afastou-se gritando desesperada:
-- Não. Não ponha a mão! Não ponha a mão!
Puxa! Esse dia ficou para a história.
Achava a empertigada, que uma reles humana poderia contaminar sua cachorrinha.


Bom, nem tudo é mau neste mundo cão. Tive eu, dois cachorros que foram a minha cara.

Um deles foi o Max (diminutivo de Maximiliano), porte grande, robusto, cor marron sujeira e boca enorme. Não era exatamente meu, mas de um cunhado o deixou uns dez anos comigo.
Max tinha a força e a persistência de um caboclo, levou tiro de bala, mordida de cobra, lutou com feroz ariranha e muito mais.
Ele não era de prosear, embora tivesse tanto a contar. Protegia a casa, eu e a família como exímio guarda-costas. Era o bom e quieto companheiro de lida e de aventuras. Nunca mordia ninguém inutilmente, só caçador, assim que arredavam pé de seus veículos. Para a nossa alegria. É lógico!
Eu como ele, odiávamos caçadores.
A característica desse cão era a de um gentleman, não rodeava a mesa a espera de comida, preferia um pedaço de pão caseiro a um suculento bife. Aliás, só nesse caso, acompanhava o preparo da massa atentamente, esperava ir para o fogo onde se postava sentado apoiado ereto nas patas dianteiras, imóvel, com olhar fixo no vidro do forno até que o pão ficasse pronto. Embora ansioso, esperava educadamente sem pular ou avançar a sua parte dessa delícia do paladar.
Toda manhãzinha, saia eu e meu Max a procura de nossa vaca para tirar o leite do dia, eu corria quilômetros à pé, para pegá-la. Ele corria junto para espantá-la.
Tá certo, nem tudo era perfeito. Nossa! Isso dava uma canseira...

Tive outro, a Baby, que o Dr. me dera porque não saia do seu pé, não o deixava trabalhar. A experiência com corvense que são eles, os mais amorosos do mundo.
No princípio, chorava de saudades do médico. Com o tempo, se derretia em prantos se não a colocávamos para dormir conosco. Quando a esposa adoentava, Baby chorava baixinho ao pé da cama a noite inteira até seu restabelecimento.
Em casa andava grudadinha o dia inteiro com minha mulher, a ponto de atrapalhar as tarefas do lar.
Eu saia, ela ia junto. Nem precisava coleira, pois caminhava encostada a minha perna, passo a passo como militar.
Às vezes, saíamos de bicicleta, ela corria atrás, mas reclamava latindo, até o dia no qual descobrimos seu desejo de andar de bicicleta com a gente. A partir daí, a colocávamos num cesto em frente ao guidão, aonde a danada ia alegre e em pé, como a dirigir a bicicleta também.
Com a perua Kombi foi a mesma coisa, a púnhamos atrás, ela pulava para a frente, sentava entre eu e minha amada, colocava as patas na direção, e vez ou outra, ia na janela ao lado do motorista que era eu.
Num determinado dia infeliz, frio e chuvoso, tivemos que viajar, sem poder levá-la no ônibus, então a deixamos numa área com porta de vidro. Ela quebrou o vidro e não conseguiu entrar de volta, passou a noite ao relento esperando-nos. Cockers são muito frágeis às doenças e quando voltamos, ela estava fraca, No veterinário tomou injeções e medicamentos.
A Baby não nos deixava, ao voltar do veterinário, no colo da minha esposa chorando de mansinho, esforço-se até seu último fôlego, para pegar um pedacinho do meu colo também. Faleceu olhando para a gente.
Seu corpo esticado, assimilava naquele momento a forma de uma criança. Ou melhor, a de um anjo, travestido em animal, para viver amando-nos por um bom tempo.
Tive raiva de mim, porque não acreditava que pudesse gostar mais de um animal do que de um ser humano. Justo eu sendo um misantropo era inadmissível! Exatamente eu, mais do que ninguém em casa, chorei copiosamente e ininterruptamente por dois meses consecutivos.
Ainda hoje, depois de dezessete anos, quase não consigo terminar esta história, de tanto chorar de saudades.
Ela mudou-me, antigamente pensava que pessoas ligadas demais a animais, não conseguiam amar seres humanos. Hoje sei que há pessoas assim, mas há incontestavelmente outras que nasceram para amar todos os seres vivos.

Rubens Prata – 09/01/09

ERA PARA SER ASSIM

ERA PARA SER ASSIM

Tentei consertar,
o que estava para ser assim.
Tentei encontrar,
o que era para fugir de mim.

Tentei levar o burro para sanar sua sede,
quando ele não queria beber água.
Tentei plantar,
quando a terra seca não fazia brotar.
Tentei amar,
quando ninguém tinha nada para dar.

Achei que estava certo,
mas nem cheguei perto.
Busquei longe,
o que estava debaixo do meu teto.
Pensei que fosse esperto

Tentei fazer o que achava correto.
Amei as crianças dos vizinhos.
Os filhos do José, da Maria,
do Paulinho.
Mas quem esperava por mim,
Era meu neto.

Por fim...
Tentei chorar,
quando não tinha lágrimas para derramar.

fiz.

Eu morri, eu renasci
O importante é que eu vivi.

Tinha de ser assim.

Rubens Prata - 2007

VALDEMAR

Chamava-se ele: Valdemar.
Dizia:
“ O mais importante na vida são:
mulheres, cigarros, bebida!”

Ele era o Sr. Valdemar
Me mostrava como ser um bom operário.
Levava´me para ver o mar.
Construía objetos de vidros,
que faziam brilhar meu olhar.

Contava vantagens,
à mesa de um bar.
Contava histórias.
Me levava ao Vila Sofia.
Cantava as meninas
em todas as esquinas.
Era o Sr. Valdemar

Valdemar...
Meu herói neste mundo.
Um lindo ébrio.
Bêbado, machista, vagabundo.
que sabia amar.

Valdemar.
Ele me queria.
Era meu pai.

Eu, Rubens

FILHOS BASTARDOS

FILHOS BASTARDOS

Seria bom...
Se todos os jovens pudessem dizer:
Eu tenho um pai.
Ele ensinou-me isto!
Ele disse-me faça assim!

Vai longe o tempo de quem se importava.
Em fazer-me um prato.
Em cuidar da casa.
Em contar-me um fato.

Todo mundo quer ter.
Ninguém mais quer ser.
Ninguém quer ser aquele que trabalhe,
que cuida, que agasalhe, que ensina.

Todo mundo quer ter:
Um lindo corpo,
um luxuoso carro,
um bom cargo.
Pois é!
Um belo filho até.
E daí!
Rubens Prata

PAI, OLHE PARA MIM !

Pai, por que você não olha por mim?
Será que estou torto.
Porque sou gordo.
Porque sou peso morto?

Pai, por que você não olha para mim?
É porque estou teso?
Porque você quer viver solto?
Porque estou preso?
Você não quer estar com responsabilidades envolto?

Por que você não olha para mim?
Porque eu uso óculos?
Você tem medo de que eu lhe dê
um ósculo?

Eu não pedi para você me por no mundo!
Você abandonou-me na casa da tia.
Escrevia, não lia, o pau comia.
Logo ela pôs-me na rua.
Eu vivi sujo e imundo.

Ninguém emprega ou dá guarida a uma criança de 10 anos.
Eu roubava para a comida.
Com o tempo, assaltava depois corria.
Não tinha com quem falar,
o que sentia.
Agora estou aqui,
atrás das grades.
Pai, por que você não olha para mim?

Eu, Rubens

Conto: A CUÍCA

Conto: A CUÍCA
Numa agradável noite, no Jardim Brasil em Avaré, amigos fraternos conversavam,ouvindo boa música sob a luz da Lua e do fogo ardendo e salpicando as carnes do churrasco que prometia fazer prolongar ainda mais a conversa. De repente, os cães trocaram as ambicionadas gorduras que lhes atiravam por um espetáculo maior. Latiam tanto e em tão alto tom que o pessoal correu para ver o acontecido. Tratava-se de um animalzinho acuado agarrado aos mais altos ferros do portão.
Puderam observar o bichinho bem de pertinho por poucos instantes, antes que pulasse apavorado para rua sumindo em disparada.
O acontecido foi o ponto alto da conversa madrugada adentro.
Lá estavam pessoas apaixonadas pela natureza e cônscias de que deva haver atitudes rigorosas de toda a população a fim de preservar o ambiente, a fauna e a flora.
Sabiam que o homem estará fadado a destruição se não se decidir a proteger a vida.
Um aficionado observador de plantas e animais lembrou que já tinha visto este bicho numa revista e ia procurá-la para saber o que viram exatamente. O outro relembrou suas andanças pela cidade, nas quais se distraia olhando as árvores e aves da cidade.
--É pena! Avaré não tem uma turma de passeio como em SP, onde há vários grupos (pretendentes a ornitólogos) divertindo-se ao fotografar na rua e pesquisar, em bibliotecas, pássaros. Naquela cidade poluída e sem natureza já catalogaram mais de 170 espécies. Imagina o que não se descobriria em Avaré?
A conversa ia fundo sobre a inércia de todos, as ruas e rios emporcalhados, o assoreamento do Rio Novo, o córrego do Lageado, a enorme erosão perto da João Melão. Falaram de tudo, até da restauração e tombamento de alguns edifícios da cidade. Enfim, tudo é meio ambiente.
--Havendo vontade política, atitude dos cidadãos em ralhar com o desleixo dos “porcos” que a tudo sujam, e com a inaptidão dos administradores e representantes do povo, nossa cidadania estaria mais presente... – Acrescentava mais um.
Pois é, em julho, alguém na televisão dizia que o Brasil possuía 16% de toda a água aproveitável do mundo. Outro, uma representante de uma ONG americana, lembrava nossa missão ecológica e o maior número de espaços preservados. Falta muito a fazer. Mas, nunca é demais lembrar que o Brasil poderá ser o país do futuro se ações começarem a ser feitas imediatamente. Daqui a 20 anos, sabe-se, não haverá suficiente água no planeta e está aqui a possibilidade do bom futuro.
Que tal distrair-se atazanando a vida dos congressistas através da Internet? Dos vizinhos “porcos”?
Semanas depois o participante que prometera pesquisar o animal trouxe uma foto de Uma Cuíca retratada por Johann Naterer em Ipanema – SP dia 4/6/1819. Um outro, trouxe outra foto de um gambá brasileiro diferente daqueles que acostumamos ver na TV ou em revista. O mais interessante de tudo é que se tratava de um marsupial. Marsupial Brasileiro.
Afinal, decida o leitor: Cuíca ou gambá.

Rubens Prata – agosto de 2000

OBS: CUÍCA (Gracillinamus microtarsus).
Um GAMBÁ possui glândulas perto do anus que secretam um líquido mal cheiroso. É só uma forma de defesa quando é ameaçado. Em estado normal, seu cheiro é igual ao de qualquer outro animal.

57 ANOS

Hoje aos 57, eu posso chorar.
Posso dar-te um beijo,
um forte abraço.
Posso até te amar.

Amar... Nos pede Jesus,
que seja universal.

Hoje aos 57.
Sou homem,
sou mulher,
sou criança.
Nem penso no mal.

Hoje aos 57.
Não imponho barreiras à alma.
Não tenho medo de emocionar-me.
Faço tudo com calma.
Não tenho receio de compadecer-me.

Hope aos 57.
Não me importa os pré-conceitos.
Não sou machista.
Não quero ter sempre razão.
Não sou feminista.

Penso que Deus,
é masculino,
é feminino.

Hoje aos 57.
Gosto de ser homem,
gosto do meu pinto,
da mulher que me ama.
Gosto do que sinto.

Eu, Rubens

O QUE IMPORTA?

O que importa?
Que eu não tranque minhas emoções.
Que eu não feche minha porta.
Que eu não fique sem minhas canções.

O que importa?
Que você me ame;
Na riqueza, na saúde, na doença, na pobreza.
Que me ame sobretudo.
Que me faça uma torta.

O que importa?
Não dar bola para a vizinha,
Não ouvir a candinha.
Não ter a língua torta.

O que importa?
Não ser surdo, cego, mudo;
perante as atrocidades,
á natureza morta,
à desumanidade,
à desculpa torta.

O que importa?
Que você esteja ao meu lado.]
Que juntos ouçamos um fado.

Eu, Rubens

CUIDADOS OPORTUNOS

Cuidado com alguns ecologistas de plantão.
Tem deles que se derretem, esperneiam pelo cachorrinho magrinho.
Mas, não estendem a mão à criança espancada na rua.

Cuidado com os não fumantes implicantes.
Porque eles dão câncer no saco.

Cuidado com os fabricantes de crises
Não são eles que saem ilesos e com muito lucro?

Cuidado com os programas da TV
Alguém aí já foi consultado pelo IBOPE?
Será que nossa existência tem alguma coisa a ver com os noticiários e entrevistas?

Cuidado com as delicadas personalidades que desfilam em festas sociais.
Tem gente parecendo barata.
Por fora o verniz da aparência de educação.
Por dentro só podridão.

Cuidado com o Programa de Educação
Nos E.U.A os alunos, desde crianças, aprendem que a Amazônia é patrimônio da humanidade.
Assim, quando quiserem nos invadir terão o apoio da população.
No Brasil, durante um tempo, fomos preparados pela mídia , mostrando a que era importante a privatização. Foram bons os resultados?

Cuidado com o doido que lhe escreve.
Está estória só pode ser um pé no saco.

Eu, Rubens Prata – 20 -10 – 2008

MUNDO ESTRANHO

Mundo estranho,
estranho mundo.
Crianças mal saídas da fralda,
sem, ao menos, saber falar.
Já sabem dançar.
De mini-saia, salto alto.
Já aprenderam rebolar.
Mal começaram estudar.
Já querem namorar.

Nas academias cheias, a preocupação:
dar belas formas ao corpo.
Quem pensa em dar um sentido a vida?

Mundo estranho,
estranho mundo.
Na rádio, um apelo desesperado
insiste diariamente,
pela cachorrinha perdida.
Na rua, em frente ao Pet-Shop,
uma menina é desaparecida.

Estranho mundo,
mundo estranho.
Na sarjeta jaz um moribundo,
uns passam ao largo, outros desviam.
Os amigos de antanho?
Nunca o viram!

Mundo estranho,
estranho mundo.
Ns TV, quase em rede nacional,
o show da fé, garante saúde e riqueza.
Cantam,
As histórias dos heróis da bíblia, encantam.
Provocam êxtases.
Prometem o paraíso na Terra, dançam.
Fazem “milagres” em nome de Jesus.
Falam da alma, dos ensinamentos do Cristo?
Gritam....
Aleluia! Aleluia!

Mundo estranho,
estranho mundo.
Na mídia, o cantor sem voz,
faz sucesso com a música debochada.
Nas esquinas,
o bom poeta
encanta as meninas.

Mundo estranho,
estranho mundo.
Na TV...
Ah a nossa TV, barata e de todo mundo.
A vulgar entrevistadora,
passa horas com o mancebo vagabundo.
Ele tem algo a dizer?

Mundo estranho,
estranho mundo.
No Pará, a pequena violentada,
não sai da cadeia,
durante 20 dias com 20 homens.
Em Brasília, o vilão afortunado,
não abandona sua cadeira.
Pore mais de 20 anos,
Renan faz carreira.

Mundo estranho,
estranho mundo.
O pai desesperado
que roubou o pão.
Aguarda o julgamento na prisão.
O rei da corrupção,
visita de jatinho,
suas propriedades,
sua mansão.

Mundo imundo,
estranho mundo.
No jornal,
a notícia do planeta em devastação.
Na rua,
um homem jogando o jornal no chão.
Quer saber?
Não assisto mais televisão.

Mundo imundo.
As favas com esse mundo,
que eu não me chamo Raimundo.

Eu, Rubens
As pseudo-poesias escritas acima foram escritas do dia 26 de janeiro ao dia 5 de fevereiro de 2008.

22.1.10

RETRATO DE RONALDO PEREZ

Paracatam, pacatam, pacatam.
Paracatam, pacatam, pacatam

Canto com violão:
Rumba, Chá-chá-chá,
Samba canção.

Canto ao som do oboé:
à Rosa flor, à Maria,
ao Seu José.

Canto, Canto, Canto.

Canto de dia e de noite.
Canto na esquina:
Xote, embolada, maracatu.
Canto à beleza da menina.


Canto na avenida:
A mulher nua,
A minha querida,
faço versos na rua.

Canto, encanto tanto.

Canto baixo, canto alto:
Bethoven, bolero, Rock.
Eu me chamo Ronaldo.
O que quer que eu toque?

Canto no asfalto.
Canto grave, canto agudo.
Canto em contralto.
Nunca fico mudo;

Canto, canto, canto;

Canto caro e de graça.
Promovo o bem, o encontro.
Faço a festa,
tenho a graça
de tocar o que conto.

Canto, canto, encanto;

Canto samba com fé.
Sou o menestrel.
Moro em Avaré.
Cantando, vivo no céu.

Canto, Canto, Canto.

Paracatam, pacatam, pacatam.
Paracatam, pacatam, pacatam

Eu, Rubens 21/01/08

OBS: Esta poesia foi feita especialmente para ser musicada pelo próprio Ronaldo

TEM GENTE

Tem jovem que é velho.
Tem velho que é jovem.
Tem gente que pensa que é vivo.
Mas não sabe, já morreu.

Tem gente que só gosta de cães.
Tem gente que cuida dos gatos.
Tem gente que gosta da gente.

Tem gente que sente.
Tem muitos que mentem.
Tem mestre que finge ensinar.
Tem aluno que finge aprender.
Tem outro, que foge pela tangente.

Tem médico que pensa tratar da gente.
Tem outro que cuida da gente.
Tem gente que planta a semente.
Tem também, quem roube a gente.

Tem gente que derruba a mata.
Tem pessoas, que sujam a rua.
Tem bandido que mata.
Tem poeta, que faz poema para a Lua.

Tem gente, que faz tudo mal feito.
Tem pai que não ensina seus filhos.
Tem outro que nem tenta.
Onde merece morar essa gente?

Tem gente, que acredita na gente.
Tem gente, que duvida da gente.
Tem alguns que exploram a gente.
Tem gente que precisa da gente.

Tem gente que veio ao mundo só para passear.
Tem outro que veio para sustentar.
Tem quem chegou só para trazer problema.
Tem aqueles que vieram para resolver o esquema.

Tem gente que acha que todo mundo é mau.
Com isso, encontra pretexto para praticar muito mal.
Tem gente que planta o milho.
Tem gente que cuida do filho.

Eu,Rubens 20/01/08

FALEM BEM OU MAL, MAS FALEM DE MIM

Podem comentar bem ou mal,
Mas falem de mim
Podem dizer o que sou
e até o que não sou.
Não importa, bom ou mau.
Falem de mim.

Dizem que sou humanista,
outros me chamam orgulhoso..
Sou até anarquista.
Que contradição!

Só sei, que na vida não sou turista,
Tenho responsabilidades, endereço,
e como profissão: desenhista.

Já me disseram que sou liberal.
Que sou gordão.
Que como mal.
Mas no fundo,
sou tudo isto.
Sou também,
nada disto.
Ninguém é só uma coisa ou outra.
Todo mundo é muita coisa.
Eu....
Sou MUITOOOOO!.

 Rubens Prata

SÓ SEI QUE CHEGO LÁ

Bem ou mal.
Só sei que chego lá.
Onde a vida compreende a vida .
Aonde o corpo não vai,
mas o espírito chega bem perto.
Onde os “doutores não teêm importância
Onde a riqueza não faz o caráter.
Onde a paciência chega perto do podium.
Onde a tolerância já merece algun troféu.

Só sei que chego lá,
Agora, só quero dar um passo acolá.
Se não andar mais um pouco.
Fico velho, morto, acabado

Rubens Prata